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Não sei se vai ou se fica: Justiça revoga decisão e suspende retorno de prefeitos aos cargos

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Fonte: Rondoniagora, G1 RO - Em Polícia - 19/12/2020 07:23:00 hrs

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Não sei se vai ou se fica: Justiça revoga decisão e suspende retorno de prefeitos aos cargos
Arquivo

Os prefeitos presos durante operação Reciclagem da Polícia Federal sentiram o gostinho do retorno às suas funções, mas o sonho foi desfeito em menos de 12 horas após a decisão da Justiça de Rondônia.

O desembargador Roosevelt Queiroz Costa, relator do processo que envolve os prefeitos Gislaine Lebrinha (São Francisco), Luizão do Trento (Rolim de Moura), Marcito Pinto (Ji-Paraná) e Glaucione Neri (Cacoal), presos em setembro durante operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de pagamento de propina, reavaliou sua própria decisão de autorizar o retorno às prefeituras, proferida na tarde de sexta-feira (18), e, por volta das 21h30 da noite, decidiu revogar a decisão anterior, suspendendo o retorno dos investigados ao cargo de prefeito.

Na nova decisão, o magistrado avaliou o caso de Glaucione Neri. Mas, no final da decisão, estendeu aos demais investigados. Segundo o desembargador, foi considerada válida a soberania popular e que as investigações já haviam sido encerradas.

Na noite desta sexta-feira (18), o magistrado refletiu melhor. “Revendo os termos em que se deram os afastamentos das funções públicas e a exiguidade do prazo que restaria de mandato popular de cada qual (menos de duas semanas, sem contar o período de recesso nos órgãos públicos), devo retificar novamente, em tempo, minha posição. A Carta Federal prevê que haverá um vice-prefeito para cada prefeito (art. 29, I) justamente para garantir a continuidade do mandato e da gestão administrativa da máquina pública. Assim sendo, não há nenhuma necessidade da investigada Glaucione retornar ao exercício do poder, tendo acesso irrestrito ao maquinário, documentos e o próprio pessoal que compõe o Executivo local”, diz a decisão.

"A suspensão do exercício da função pública foi decretada em 14/9/2020 e cumprida em 28/9/2020 com a intimação do Presidente da Câmara Legislativa de Cacoal, razão pela qual a suspensão vigorará até 25/1/2020, quando já terá ocorrido a posse de novo prefeito. A investigada foi afastada com o fim de garantir a ordem pública e social, uma vez que, de forma reiterada, vinha se valendo do cargo de prefeita para exigir vantagem indevida de empresário que mantinha (ou ainda mantém!) contratos com a Administração local, sendo indevido, neste momento, o retorno ao cenário em que cometido o crime, registrado por meio de imagens pela Polícia Federal".

Roosevelt Queiroz assume que se equivocou e revê a posição de permitir o retorno ao cargo não somente ao caso de Glaucione, mas a todos os demais.

“Com essa nova perspectiva, compreendo que devo reparar equívoco cometido na avaliação dos fatos apresentados, o que faço a seguir:

a) mantido fica o deferimento do pedido de revogação de prisão domiciliar, que fica estendido a todos os investigados o benefício;

b) em retificação a decisão anterior, indefiro o pedido de revogação da suspensão do exercício da função pública (de prefeita), permanecendo a proibição de acesso ou frequência à Prefeitura local e seus demais órgãos diretos ou indiretos;

b.1) nesse item, em relação aos demais investigados, não vindo pedido próprio, revogada fica a determinação anterior de extensão dos efeitos, agora reavaliados;

b.2) acaso já tenha ocorrido a comunicação das respectivas Câmaras Legislativas de cada municipalidade e do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia da decisão anterior, expeça, desta, nova;

c) ficam todos os investigados obrigados a comparecer em juízo sempre quando for intimado(a) para tal (poderá ser expedida carta de ordem para o cumprimento desse item, oportunamente);

d) ficam todos os investigados, outrossim, proibidos de manter contato com os demais investigados do IP n.º 0005822-20.2019.8.22.0000, assim como com o colaborador do feito, seja pessoalmente ou virtualmente, ainda que por interposta pessoa;

d.1) em relação aos investigados Daniel Neri de Oliveira e Glaucione Maria Rodrigues Neri, considerando que são marido e mulher (cônjuges), fica excepcionado o impedimento de suas comunicações (exceção ao Item retro);

Operação Reciclagem

Os prefeitos foram denunciados por um empresário que informou às autoridades sobre esquemas de propina envolvendo as prefeituras de São Francisco, Cacoal, Rolim de Moura e Ji-Paraná. As investigações iniciaram em dezembro de 2019 após um empresário que prestava serviços às prefeituras delatar sobre um esquema de propina, revelando diversas imagens que registravam os pagamentos.

Não sei se vai ou se fica: Justiça revoga decisão e suspende retorno de prefeitos presos, agora soltos, aos cargos
Reprodução/PF

Na ocasião, Glaucione Neri (Cacoal), seu marido Daniel Neri, Luizão do Trento (Rolim de Moura), Marcito Pinto (Ji-Paraná) e Gislaine Lebrinha (São Francisco), foram presos no dia 25 de setembro pela PF após divulgação de imagens onde os envolvidos recebiam o dinheiro de propina. Em 1° de outubro, os quatro acusados foram transferidos do quartel da PM em Ji-Paraná para o Centro de Correição em Porto Velho.

Não sei se vai ou se fica: Justiça revoga decisão e suspende retorno de prefeitos presos, agora soltos, aos cargos
Chegada dos prefeitos à unidade prisional em Porto Velho - Reprodução/SICTV

Na decisão, o desembargador ainda ordenou mandados de busca, apreensão e indisponibilidade dos bens dos acusados. Ainda foram 'sequestrados' os seguintes valores dos prefeitos:

Na mesma decisão, à época, foi determinado o afastamento das funções públicas por 120 dias. Devido a pandemia do coronavírus, foi propiciado aos vice-prefeitos assumirem as prefeituras.

Operação conjunta da PC, PM e PRF prende irmão da prefeita afastada de Cacoal e apreende cerca de 150 Kg de drogas

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