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Eleições 2022
Fonte: G1, Folha de São Paulo - Em Eleições 2022 - 30/10/2022 12:37:00 hrs

A Polícia Rodoviária Federal descumpriu ao longo deste domingo (30) de eleição uma decisão do ministro Alexandre de Moraes e tem feito abordagens em transportes públicos.
Segundo números internos da PRF aos quais a Folha teve acesso, o órgão já tinha realizado 514 ações de fiscalização contra ônibus até as 12h35.
O número de abordagens no segundo turno já é 70% maior do que o que foi registrado na primeira etapa do pleito, no dia 2 de outubro —não é possível estimar se essas abordagens ocorrem antes ou depois da votação desses passageiros.
"A fiscalização deverá ser focada nos veículos transportadores de passageiros, com o intuito de prevenir acidentes de trânsito nesse período que há um incremento de movimentação de passageiros, e de verificar possíveis crimes eleitorais, especialmente transporte irregular de passageiros ou dinheiro", diz o documento.
Na noite do sábado (29), o ministro Alexandre de Moraes, proibiu a realização de qualquer operação pela PRF contra veículos utilizados no transporte público de eleitores.
Já neste domingo, após denúncias de ações surgirem nas redes sociais, o TSE determinou com urgência que o diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, dê explicação sobre operações policiais realizadas pelo órgão em transporte público de eleitores.
Na decisão, é citada uma publicação nas redes sociais de um vídeo na Paraíba de uma operação que, segundo o usuário, estaria "afugentando a população da zona rural" das urnas.
Ontem, Vasques publicou nas redes sociais uma imagem em que pede o voto no presidente Bolsonaro. Ele postou uma foto da bandeira do Brasil com as frases "vote 22. Bolsonaro presidente". Momentos depois, o post foi apagado.
A PRF foi procurada, mas não respondeu aos contatos da reportagem.
Relatos pelo Nordeste
"Um agente entrou na van, falou que era uma operação para garantir a segurança dos passageiros e do motorista. Verificou se estávamos com cinto de segurança, falou algumas groselhas. Em seguida, pediu o documento de identificação de todos os passageiros (cerca de 15 pessoas) e do motorista. Inspecionou extintor, olhou CNH [Carteira Nacional de Habilitação]. Nisso, perdemos cerca de 30 minutos", contou uma moradora de Teotônio Vilela, Alagoas.
"Alô, [governador] Paulo Câmara [PSB], senador Humberto Costa [PT-PE], Teresa Leitão [senadora eleita, PT-PE]: Polícia Rodoviária Federal parando todo mundo na BR-232. A tática de supressão de votos está a todo vapor!", diz um usuário de Pernambuco.
"Recebi agora denúncia de blitz e apreensão de motos na zona rural de Caxias, efetuada pela Polícia Rodoviária Federal. Estamos fazendo a representação à Justiça Eleitoral para que apure a legalidade da operação policial", publicou o senador eleito Flávio Dino (PSB-MA), ex-governador do Maranhão.
Diretor é chamado ao TSE
O diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Silvinei Vasques, esteve no prédio do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no início da tarde deste domingo (30).
Em reunião com o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, Vasques se comprometeu a interromper todas as abordagens em ônibus e obedecer a decisão do ministro.
Foram constatadas blitze em cidades como Cuité (PB), Jacobina (BA), Ubaitaba (BA), Simões Filho (BA), Zé Doca (MA), Caxias (MA), Serra Talhada (PE), Salgueiro (PE), Garanhuns (PE), Apodi (RN), João Câmara (RN), Campo Redondo (RN), Campo Grande (RN), Paraú (RN) e Ceará-Mirim (RN), segundo relatos de partidos, prefeitos, deputados e senadores de estados do Nordeste.
Em ofício interno enviado na madrugada deste domingo às delegacias dos PRFs, horas depois da decisão do TSE em proibir operações relacionada ao transporte público, gratuito ou não, disponibilizado aos eleitores, Silvinei Vasques não deixou claro aos integrantes da corporação como seria cumprida a ordem de Moraes.
No documento, Vasques afirma que a PRF iria manter a "Operação Eleições 2022" somente em "ações não conflitantes" com a decisão do tribunal.
"Reafirmo o compromisso da PRF com o fortalecimento da segurança Pública Nacional, quer seja na proteção das vidas, na preservação dos patrimônios públicos e privados e na garantia da mobilidade nas rodovias e estradas federais e nas demais áreas de interesse da União, razão pela qual a OPERAÇÃO ELEIÇÕES 2022, nas ações não conflitantes com a decisão proferida pelo TSE, [...] deve seguir o seu curso natural até o dia 1º de novembro de 2022, com o Debriefing das ações do 2º turno", escreveu.
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