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Fonte: Folha de São Paulo - Em Geral - 04/03/2022 07:30:00 hrs

As forças militares da Rússia tomaram a usina de Zaporíjia, a maior da Europa, alvo de ataque que gerou um incêndio no local na madrugada desta sexta (4).
Câmeras de segurança no local mostram quando iluminadores são disparados sobre a usina. Registram também rajadas de tiros e o momento em que um prédio pega fogo:
O Ministério da Defesa russo disse controlar a planta, segundo a agência Interfax, o que a agência de inspeção de plantas nucleares da Ucrânia admitiu.
Em uma rede social, a administração da usina disse que a equipe operacional monitora as condições da unidade e que esforços buscam garantir que as operações sigam os requisitos de segurança.
O fogo gerado após o ataque, nas primeiras horas desta sexta, noite de quinta (3) no Brasil, atingiu um prédio do lado de fora da usina, segundo informações iniciais. Ao menos três solados ucranianos morreram e dois ficaram feridos em decorrência da ação, de acordo com a agência nuclear do país.
A direção da usina disse à agência que não havia risco imediato de contaminação nuclear, e o Serviço de Emergência da Ucrânia informou posteriormente que as condições de radiação e do incêndio na instalação estavam "dentro dos limites normais", informação confirmada mais tarde pela Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, na sigla em inglês).
Por volta de 1h30 (horário de Brasília), o incêndio foi controlado e, na manhã desta sexta na Ucrânia, um dos seis reatores estava em funcionamento. A IAEA acrescentou ainda que as chamas não atingiram equipamentos essenciais e que não houve mudança nos níveis de radiação.
O receio era o de que o incêndio gerasse uma explosão, algo que, segundo o chanceler ucraniano, Dmitro Kuleba, teria impacto potencialmente dez vezes maior do que o do acidente na usina nuclear de Tchernóbil, ocorrido na Ucrânia ainda soviética em 1986.
O presidente Volodimir Zelenski alertou que uma eventual explosão na usina de Zaporíjia significaria o "fim de tudo, o fim da Europa".
Os ucranianos culpam Moscou pelo ataque, e o líder ucraniano, em pronunciamento televisionado nesta sexta, convocou os russos a protestarem contra a tomada da usina. "Povo russo, quero recorrer a vocês: como isso é possível? Depois que todos lutamos juntos em 1986 contra a catástrofe de Tchernóbil."
"Vocês têm que se lembrar do grafite em chamas espalhado pela explosão, das vítimas. Têm que se lembrar do brilho sobre a unidade de energia destruída, da retirada. Como podem esquecer isso? E, se vocês não se esqueceram, não devem ficar em silêncio", disse Zelenski.
"Vocês têm que tomar as ruas e dizer que querem viver, querem viver na terra sem contaminação radioativa. A radiação não sabe onde a Rússia está, não sabe onde estão as fronteiras do seu país", finalizou.
Zaporíjia, construída entre 1985 e 1989, é o maior complexo do tipo na Europa. Cerca de 25% da energia ucraniana é fornecida pela usina, o que também a torna um ativo central para qualquer força invasora.
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