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Fonte: G1 - Em Economia - 26/08/2021 02:34:00 hrs

O agravamento da crise hídrica deve fazer com que a bandeira tarifária vermelha patamar 2 da conta de luz volte a subir já a partir de setembro. A decisão será tomada na próxima terça-feira, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Especialistas a par das discussões afirmam que o reajuste pode levar o atual patamar 2 de R$ 9,49 por kw/h consumido para R$ 11 ou até R$ 15 – um reajuste de mais de 50% neste adicional.
O reajuste dos valores vem sendo mais frequente porque, com a falta de chuvas e diminuição nos reservatórios das hidrelétricas, o sistema elétrico precisa acionar termelétricas, uma energia mais cara. Neste momento, segundo especialistas no setor, a conta já está negativa para as distribuidoras, que precisam comprar a energia mais cara para manter o abastecimento.
Essa tarifa atinge os consumidores cativos – população em geral e pequenos negócios. Os consumidores do mercado livre, como indústria, grandes negócios, shopping centers ou hospitais não fazem parte de quem paga este custo.
'Não adianta ficar sentado chorando'
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira (26) em audiência pública no Senado que a taxa extra na conta de luz deverá aumentar novamente em razão da crise hídrica. Para o ministro, "não adianta ficar sentado chorando".
"Temos de enfrentar a crise. Vamos ter de subir a bandeira, a bandeira vai subir. Vou pedir aos governadores para não subir automaticamente [o ICMS da energia elétrica], eles acabam faturando em cima da crise. Temos de enfrentar, não adianta ficar sentado chorando", declarou Guedes.
O Brasil enfrenta a pior crise hídrica dos últimos 91 anos e a bandeira tarifária já foi reajustada em junho deste ano, de R$ 6,24 para R$ 9,49 para 100kWh consumidos.
Na quarta-feira (25), o ministro Paulo Guedes questionou qual seria o problema de a "energia ficar um pouco mais cara porque choveu menos". De acordo com o ministro, o país conseguiu se organizar em meio à pandemia, então não haveria razão para "ter medo".
Segundo Guedes, a falta de chuvas vai causar "perturbação", que pode levar a inflação um “pouquinho pra cima” e o Banco Central (BC) terá que “correr um pouco” para conter o aumento.
Reservatórios vazios
Os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste – que respondem por 70% da capacidade de geração de energia do país – estão com 22,5% da capacidade de armazenamento, e não há perspectiva de chuvas fortes nessas regiões até meados de outubro.
Em novembro, quando é previsto que o período chuvoso esteja mais forte, o ONS prevê que os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste vão chegar a 10% da capacidade.
Para garantir o fornecimento de energia elétrica, as usinas termelétricas – mais caras e poluentes – estão sendo acionadas. Por isso, houve aumento no custo da geração de energia, e o valor é repassado aos consumidores.
Medidas para reduzir consumo
Nesta quarta-feira (25), o governo anunciou uma "premiação" para consumidores que conseguirem economizar energia elétrica — no entanto, as regras para o programa não foram divulgadas.
Além disso, também determinou que os órgãos públicos federais deverão reduzir o consumo de energia de 10% a 20% entre setembro de 2021 e abril de 2022.
Na ocasião, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, voltou a descartar a possibilidade de racionamento de energia.
As medidas foram anunciadas após o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) ter avaliado, na terça (24), que há "relevante piora" das condições hídricas no país.
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