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Política
Fonte: CNN, Folha de S. Paulo, G1 - Em Política - 13/05/2020 09:36:00 hrs
Quatro fontes que assistiram nesta terça-feira (12) ao vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, exibido a advogados e investigadores em Brasília, confirmaram que os motivos externados pelo presidente Jair Bolsonaro para exigir a troca do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro tem relação com sua família.
Segundo relatos de fontes ouvidas pelos jornais, no vídeo – exibido de forma reservada no Instituto Nacional de Criminalística por determinação do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, responsável pelo inquérito que apura suposta interferência de Bolsonaro na PF – o presidente menciona preocupação com a família ao falar da necessidade de trocar o superintendente da PF no Rio.
Todos passaram quatro horas em uma sala fechada, sem celulares. O governo resistiu em entregar a íntegra do vídeo e chegou a fazer três pedidos a Celso de Mello sobre o assunto. Mas acabou repassando a gravação ao Supremo na semana passada por determinação do ministro do STF.
De acordo com as fontes, Bolsonaro menciona na reunião que não quer os "familiares” prejudicados. O presidente usou palavrões ao tratar do tema, segundo essas fontes. E disse que se não conseguisse trocar o superintendente do Rio, então trocaria o diretor-geral da PF – à época Maurício Valeixo – ou, por último, o ministro da Justiça – à época, Sérgio Moro.
"Já tentei trocar o chefe da segurança do Rio de Janeiro. Se não posso trocar, troco o chefe dele, troco o ministro. Não vou esperar foder alguém da minha família. Troco todo mundo da segurança", teria dito Bolsonaro segundo as quatro fontes que viram o vídeo ministerial.
O material é uma das provas apontadas pelo ex-ministro Sergio Moro no inquérito que apura se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir politicamente nas investigações da Polícia Federal.
Investigadores afirmaram que as declarações do presidente nessa reunião mostram um interesse familiar, pessoal, por trás da intenção da troca. Tudo o que o presidente ameaçou fazer na reunião de fato aconteceu:
- Bolsonaro exonerou o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo;
- Moro pediu demissão após o episódio e acusou o presidente de tentar interferir politicamente na PF;
- O presidente nomeou o amigo Alexandre Ramagem para diretor-geral da PF, que foi impedido pelo STF;
- Bolsonaro, então, empossou o delegado Rolando Alexandre de Souza, subordinado a Ramagem na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para comandar a PF.
- O primeiro ato de Rolando foi mudar o superintendente da PF no Rio.
O atual diretor-geral da Polícia Federal foi uma indicação de Alexandre Ramagem, que admitiu, na segunda (11), em depoimento à PF, que foi consultado sobre o nome de Rolando pelo próprio presidente.
Ramagem também relatou no depoimento que no ano passado, quando Bolsonaro ameaçou tirar o então superintendente do Rio, Ricardo Saadi, ele, Ramagem, chegou a sondar o atual superintendente do Amazonas, Alexandre Saraiva, para ocupar o cargo. Saraiva era nome desejado pelo presidente para comandar a PF no Rio.
A partir de agora, o vídeo será transcrito por peritos da Polícia Federal. O material será registrado de forma separada e continuará em sigilo até uma decisão do ministro Celso de Mello se irá tornar o vídeo público ou não.
Em nota, o ex-ministro Sergio Moro disse que: “O acesso ao vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril confirma o conteúdo do meu depoimento em relação à interferência na Polícia Federal, motivo pelo qual deixei o governo. Defendo, respeitosamente, a divulgação do vídeo, preferencialmente na íntegra, para que os fatos sejam brevemente confirmados. As declarações feitas na reunião foram evidenciadas, também, pelos fatos posteriores: demissão, sem motivo, do diretor-geral da PF, troca do superintendente da PF no RJ, além da minha própria exoneração por não concordar com as mudanças.”
Bolsonaro diz que não citou "Polícia Federal" e "superintendente" no vídeo
O presidente Jair Bolsonaro falou sobre o conteúdo do vídeo ao aparecer na rampa do Palácio do Planalto. Disse que, na reunião, não citou as palavras Polícia Federal e superintendente, mas que estava preocupado com a segurança da família.
O presidente deu sua versão sobre o vídeo da reunião ministerial apresentado nesta terça-feira (12) na Polícia Federal:
Bolsonaro: Não existe no vídeo a palavra Polícia Federal e nem superintendente. Não existem as palavras superintendente e nem Polícia Federal.
Repórter: O senhor falou de investigações sobre a sua família e pessoas perto do senhor...
Bolsonaro: Não tem investigação. Não tem família. Não tem palavra investigação.
E sobre ele ter cobrado a troca de comando da PF no Rio de Janeiro durante a reunião, Bolsonaro respondeu:
Bolsonaro: Falo do Rio de Janeiro. Rio de janeiro é meu estado.
Repórter: Em que contexto?
Bolsonaro: É onde tem um filho lá. Todos os meus filhos têm segurança do GSI, todos, sem exceção.
O presidente foi questionado se vai usar esses argumentos quando tiver que depor no inquérito.
Bolsonaro: Não vou entrar em detalhe contigo, está certo. Meu depoimento vai ser depois aqui. Não vou adiantar o que vou falar. O assunto de hoje: não existe a palavra Polícia Federal nem superintendência.
O presidente indicou, portanto, que sua preocupação na reunião era com a segurança de sua família.
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