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Fonte: #boatos - Em Geral - 13/12/2022 07:53:00 hrs

Por mais que as eleições já tenham passado há mais de um mês, ainda há gente que insiste que houve fraude por parte do TSE no sistema eleitoral, que Bolsonaro foi roubado e que a solução seria uma intervenção militar.
Para reforçar o discurso golpista, mais uma live de um argentino (que já publicou acusações contra as eleições sem provas e que já foram refutadas) revelou que “um grupo” descobriu em quem as pessoas votaram. O site seria o Veja Seu Voto (vejaseuvoto.info).
Para saber em quem a pessoa votou, é necessário digitar o CPF na página e o voto da pessoa supostamente apareceria na tela.
Detalhe: nas redes sociais há diversas mensagens de bolsonaristas apontando que os votos deles foram contabilizados para Lula.
Mas, o site Veja Seu Voto (vejaseuvoto.info) mostra em quem você votou e revela fraude nas eleições de 2022?
Não há qualquer prova que o site revela, de fato, em quem a pessoa votou. O discurso por trás de toda história que aponta para o Veja Seu Voto (vejaseuvoto.info) revela uma narrativa, no mínimo, estranha.
Para começar, ao contrário do que apontam algumas das mensagens, o site não foi “criado pelo argentino”. O discurso da pessoa é o seguinte: “ATENCION: Enquanto transmitíamos a live, um grupo de anônimos enviou um link e confirmou que conseguiu cruzar os dados e visualizar os votos. Não tenho certeza de quem são ou da veracidade, mas aparentemente eles usaram dados confidenciais”.
Claramente, deu para perceber o trecho “não tenho certeza da veracidade”. Ou seja: nem o argentino sabe da veracidade da página.
Ao analisar o site em questão, a situação não ajuda muito. O site foi registrado há três dias (08/12/2022) e não tem o nome da pessoa que o registrou, domínio nem nenhuma identificação.
A navegação do site possui uma fórmula básica feita para enganar: o uso de dados públicos + uma fórmula de aleatoriedade que claramente coloca mais votos no “13” do que no “22”.
Basicamente, o site cruza os dados dos CPFs inseridos com a base de dados vazados em algumas ocasiões (não foram poucas as notícias de vazamentos de dados pessoais da população brasileira). Com isso, é possível “colocar o nome da pessoa” em uma busca. Este dado (que não é relacionado a dados do TSE) acaba sendo ligado a uma cidade. E é aí que encontramos mais alguns erros.
Para “provar” que houve suposta fraude nas eleições, há publicações de bolsonaristas em redes sociais que apontam para figuras públicas como Carla Zambelli, Jair Bolsonaro e o próprio Alexandre de Moraes.
Carla Zambelli, por exemplo, que votou na Zona Norte de São Paulo, aparece como se tivesse votado em Uberlândia (MG).
Alexandre de Moraes, que também votou na capital paulista, aparece como se tivesse votado em São Roque (SP).
Já com Jair Bolsonaro, a história foi ainda pior: o presidente votou no Rio de Janeiro, mas aparece como se tivesse votado em Barlavento, em Portugal. Ou seja, nem no Brasil Bolsonaro teria votado, segundo o site.
reprodução/vejaseuvoto
Assim, é fácil observar o mecanismo com que o site funciona: por aleatoriedade, inserindo um número maior de "13" e menor de "22". Por isso, ao digitar um CPF, é bem mais provável que o site "prove" a maioria dos votos no então candidato petista e não no candidato do PL. E, com isso, o escândalo é formado.
Não é possível dizer, entretanto, que a página se trata de phishing (vírus). Porém, não é recomendado que você coloque dados pessoais em páginas como essa. De qualquer forma, não há como comprovar de que a página, de fato, “sabe o voto das pessoas”. Muito pelo contrário: a narrativa e os erros na página deixam claro que não passa de mais uma tentativa de tumultuar o pleito eleitoral.
Em nota, o Tribunal Superior Eleitoral se manifestou sobre o assunto:
Mais um boato circula na internet para tentar manchar a legitimidade e a lisura das Eleições 2022. Desta vez, tem sido amplamente divulgado um link de um site chamado Veja Seu Voto que, segundo afirmam nas redes sociais, revelaria em quem a pessoa teria votado nas eleições. A simulação afirma que supostos votos dados ao candidato Jair Bolsonaro (PL) teriam sido contabilizados para o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo a mensagem que circula nas redes sociais, para saber o candidato no qual a pessoa votou, bastaria entrar na página e digitar o CPF e o voto apareceria em seguida. Ocorre que aparece um voto qualquer, uma vez que a página não utiliza nenhum tipo de informação proveniente da Justiça Eleitoral.
Sigilo do voto é integralmente preservado
Antes de tudo, é preciso destacar que o voto digitado na urna eletrônica, além de sigiloso, é inviolável, conforme prevê a Constituição Federal. Além disso, não há como vincular a autoria de um voto registrado na urna a um eleitor específico.
Conforme já explicado em esclarecimento anterior feito pela Justiça Eleitoral, não é possível conhecer o voto de cada eleitora ou eleitor. O log da urna – registro das atividades de funcionamento dentro da urna – pode ser acessado pelo Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo aplicativo Resultados. Apesar de ser um arquivo público, não registra informações como número do título de eleitor e nem revela voto. O armazenamento dos votos é feito de modo que ninguém, nem mesmo a Justiça Eleitoral, possa saber em que candidato cada eleitor votou.
Portanto, os supostos votos que o site divulga são falsos, inventados, inexistentes. A mensagem é mais uma “fake news”, entre tantas outras, disseminadas para desacreditar a Justiça Eleitoral e as urnas eletrônicas, bem como a própria democracia. O site é tão falso que retorna informações com qualquer número que se insira, mesmo não sendo de CPF válido. Ou seja, qualquer número aleatório que seja digitado, mesmo que não seja o CPF, indicará um resultado mentiroso.
Cuidado com golpes
A Justiça Eleitoral alerta para que as pessoas tenham cuidado ao digitar seus dados pessoais, como CPF, título de eleitor ou qualquer outra informação nesse ou em qualquer outro site, pois pode haver risco de uso indevido dos dados dos eleitores. Passados mais de um mês das eleições, ainda há pessoas que insistem que houve fraude no pleito. Isso acontece mesmo quando todas as informações disponibilizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – verificadas, inclusive, pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e diversas Missões de Observação Eleitorais (MOEs) nacionais e internacionais – mostram taxativamente que todo o processo de apuração e totalização dos resultados ocorreu de maneira segura e transparente.
Resumindo
O site é falso!
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