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Fonte: Rolnews - Em Polícia - 03/08/2026 02:49:00 hrs
A expansão do crime organizado na Amazônia tem consolidado um cenário descrito por pesquisadores como "governança criminal", no qual facções ampliam sua influência sobre territórios, economias locais e comunidades, reduzindo a capacidade de atuação do Estado.
Nesse contexto, a BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), é apontada como um dos corredores logísticos mais estratégicos para o transporte de cargas legais e, potencialmente, para o deslocamento de atividades ilícitas.
Favorecidos pelas condições precárias da rodovia, o crime organizado aproveita da pouca fiscalização e utiliza a estrada como rota de tráfico de drogas, armas e outros negócios ilícitos.
Segundo estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a Amazônia deixou de ser apenas uma área de passagem do narcotráfico internacional para se tornar um espaço de disputa territorial entre organizações criminosas, que também atuam em crimes ambientais, mineração ilegal, grilagem de terras, extração ilegal de madeira e lavagem de dinheiro.
A presença dessas organizações é favorecida pela vasta extensão territorial, pela baixa densidade do aparato estatal e pela complexa rede de rios e estradas da região.

A BR-319 ocupa posição central nesse cenário.
Além de ser essencial para a integração entre Amazonas e Rondônia e para o abastecimento da Zona Franca de Manaus, especialistas alertam que a rodovia pode facilitar o acesso a áreas antes isoladas, tornando-se um corredor de interesse para organizações criminosas caso não haja fortalecimento da fiscalização e das ações de inteligência.
O debate sobre a reconstrução e pavimentação da rodovia envolve, simultaneamente, questões de desenvolvimento econômico, proteção ambiental e segurança pública.
Pesquisas acadêmicas destacam que as facções disputam o controle das principais rotas terrestres, fluviais e aéreas utilizadas para o tráfico de drogas, especialmente da cocaína produzida em países vizinhos.
Essa disputa tem contribuído para o aumento da violência em diversos municípios amazônicos e para a diversificação das atividades criminosas na região.
O enfrentamento ao crime organizado na Amazônia exige mais do que operações policiais.
A estratégia passa pelo fortalecimento permanente da presença do Estado, integração entre forças de segurança, inteligência, fiscalização ambiental e políticas públicas capazes de reduzir a influência econômica e social exercida pelas organizações criminosas sobre comunidades vulneráveis.
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