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Fonte: g1 - Em Curiosidades - 10/10/2023 08:14:00 hrs

Do cavalo de Troia a pirâmides financeiras, temos sido ludibriados desde a Antiguidade. No Brasil, o número de golpes contra idosos cresceu mais de 70% em 2023. Por que a praga é mundial? É o que os doutores em psicologia Daniel Simons e Christopher Chabris tentam desvendar no livro “Nobody's fool: why we get taken in and what we can do about it” (“Ninguém é bobo: por que somos enganados e o que podemos fazer a respeito”), lançado em julho e ainda sem tradução para o português.
De acordo com os autores, ninguém está imune e pode se transformar em vítima, pelo menos uma vez na vida: “isso acontece porque os criminosos se valem de nossas crenças e agem em situações que fazem parte de nossa rotina, que servem de base para tomarmos decisões”, afirma Simons.
Achamos que só os tolos caem nessas armadilhas e, em retrospectiva, o golpe é sempre óbvio. O que ocorrer é que o esquema não tem um alvo específico, mas se torna eficiente exatamente quando vai ao encontro dos desejos e expectativas de alguém. “Somos bem mais críticos quando nos deparamos com algo que vai na contramão de nossas crenças. Quando somos apresentados com o que corrobora o que acreditamos, tendemos a ser menos cuidadosos”, completa Simons.
A dupla já havia lançado “O gorila invisível”, que explora os limites da percepção humana. Através de estudos, os dois mostravam que, quando um estímulo intenso monopoliza nosso foco, a tendência é sermos incapazes de prestar atenção em outros aspectos que compõem a cena. Na nova obra, elegem uma característica inerente ao ser humano que o torna vítima de predadores: a confiança.
“Todos tendemos acreditar no que os outros dizem. Não partimos do princípio de que é preciso questionar cada frase que nos é dita, é como se fosse uma condição básica para nos relacionarmos com os demais seres humanos. Como conversaríamos e faríamos planos se fôssemos totalmente céticos?”, explica Chabris.
Embora não exista antídoto 100% eficaz, os autores sugerem que não aceitemos “achismos” de amigos e conhecidos, principalmente quando se trata de uma decisão importante. É indispensável fazer perguntas, apesar de muitos se intimidarem porque temem ser considerados ignorantes no assunto, ainda mais se for relacionado a dinheiro.
“Desconfie quando tudo parece perfeito, sem falhas, ou feito sob medida para atender a seus desejos. Faça perguntas sobre o que não está sendo mostrado e pense: que outras fontes de informação devo buscar para verificar o que está sendo dito?”, ensina Simon.
O livro destrincha o caso de Bernie Madoff, que lesou milhares de pessoas. Em vez de oferecer ganhos expressivos, ele acenava com um retorno financeiro apenas levemente superior ao do mercado de ações. “Não se assemelhava a uma pirâmide, ou ao escândalo recente das criptomoedas. A aparente consistência foi a isca: todos acharam que não havia como perder dinheiro”, detalha Chabris.
Simon alerta para o risco das falsas centrais, que se valem da intimidação: “apesar de não passarem por um crivo crítico, os golpes podem funcionar para quem está numa situação de fragilidade. Centenas de telefonemas ou mensagens não dão em nada, até alcançar uma pessoa que não resiste à pressão. O que se deve fazer é desligar porque, se for algo oficial, haverá um contato formal por e-mail ou carta”. Por fim, sugere que o círculo familiar mais íntimo crie uma espécie de código que deve ser pedido no caso de haver qualquer tentativa de ato criminoso que envolva o grupo. Em sua página, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor lista os dez principais golpes contra idosos.
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