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Fonte: Eduardo Paganella, RBS TV - Em Polícia - 08/09/2025 08:57:00 hrs

Na manhã de sábado (6), banhistas encontraram uma perna humana na areia da orla de Ipanema, na zona sul de Porto Alegre (RS). A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o membro pertença à mesma vítima que teve restos mortais localizados dentro de uma mala na rodoviária da capital e em outros pontos da cidade.
Segundo o delegado Mario Souza, diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), os indícios apontam forte ligação entre os casos:
“Possivelmente seja da mesma vítima do caso da mala da rodoviária. Agora vamos seguir os trâmites oficiais de solicitação de perícias e aguardar os resultados. Contudo, segundo as avaliações dos nossos investigadores, existe chance considerável de que essa perna seja da mesma vítima”, afirmou.
A confirmação oficial será feita pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP), que realizará a comparação genética entre os restos mortais, além do exame de DNA com familiares da vítima. A cabeça do corpo ainda não foi encontrada.
Suspeito preso
A vítima seria uma mulher gaúcha que mantinha relacionamento com o publicitário Ricardo Jardim, de 65 anos, preso preventivamente na sexta-feira (5). Ele é apontado como principal suspeito do feminicídio.
A investigação mostra que a mulher foi morta no dia 9 de agosto. Em seguida, o suspeito passou a descartar partes do corpo em locais e datas diferentes, deixando pistas falsas e até mesmo realizando denúncias simuladas para tentar confundir os investigadores.
No dia 13 de agosto, braços (sem as mãos) e pernas foram abandonados em sacos de lixo no bairro Santo Antônio.
No dia 20 de agosto, uma mala com o tronco da vítima foi deixada na rodoviária de Porto Alegre, local movimentado e com câmeras de segurança.
A motivação do crime seria financeira: o suspeito utilizou cartões de crédito da vítima e tentou movimentar a conta bancária dela. Durante a prisão, foram apreendidos celulares — incluindo um da vítima —, um notebook, documentos falsos, cartões bancários e roupas utilizadas no descarte dos restos mortais.
Histórico criminal
O caso gera ainda mais indignação pelo histórico de Ricardo Jardim. Em 2015, ele matou a própria mãe, ocultando o corpo dentro de um armário concretado. Condenado a 28 anos de prisão em 2018, cumpriu parte da pena em regime fechado, mas progrediu ao semiaberto em janeiro de 2024.
Por falta de tornozeleiras eletrônicas, foi transferido para a prisão domiciliar. Em abril do mesmo ano, deixou de se apresentar à Justiça e foi considerado foragido. O mandado que determinava seu retorno ao regime fechado só foi expedido em fevereiro de 2025, meses antes do feminicídio da companheira.
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