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Saúde
Fonte: Rolnews - Em Saúde - 03/06/2026 09:16:00 hrs
Um novo medicamento experimental contra o câncer de pâncreas avançado apresentou resultados considerados históricos pela comunidade científica internacional. O daraxonrasib foi destaque na sessão plenária da American Society of Clinical Oncology (ASCO), realizada em Chicago, nos Estados Unidos, após demonstrar capacidade de praticamente dobrar a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas metastático que já não respondiam à quimioterapia.
Os resultados foram apresentados durante a fase 3 do estudo clínico RASolute 302, considerada a etapa mais rigorosa antes da aprovação de um novo tratamento. O desempenho do medicamento provocou aplausos de pé durante a apresentação dos dados, algo incomum em congressos científicos.
A pesquisa envolveu 500 pacientes com câncer de pâncreas metastático, divididos aleatoriamente entre dois grupos: um recebeu o daraxonrasib em comprimido diário e o outro continuou com a quimioterapia convencional.
Os resultados chamaram a atenção da comunidade médica:
Outro dado considerado relevante foi a baixa taxa de interrupção do tratamento por efeitos colaterais. Apenas 1,2% dos pacientes precisaram suspender o uso do medicamento, contra 11,2% entre aqueles submetidos à quimioterapia.
Segundo os pesquisadores, os resultados são suficientes para que o daraxonrasib passe a ser considerado o novo padrão de tratamento para pacientes com câncer de pâncreas metastático em segunda linha.
Presente na apresentação dos resultados, o oncologista Stephen Stefani, da Americas Health Foundation, afirmou que raramente um medicamento reúne ao mesmo tempo baixa toxicidade, ganho expressivo de sobrevida e um mecanismo inovador de ação.
Segundo ele, o estudo demonstrou benefício clínico real para pacientes que até então possuíam poucas alternativas terapêuticas.
O especialista destacou ainda que os 13,2 meses representam uma mediana estatística, o que significa que parte dos pacientes obteve resultados ainda melhores.
O câncer de pâncreas é considerado um dos tumores mais agressivos da medicina. Na maioria dos casos, a doença não apresenta sintomas nas fases iniciais e acaba sendo diagnosticada apenas quando já está avançada ou espalhada para outros órgãos.
Atualmente:
Grande parte da dificuldade no tratamento está relacionada às mutações da proteína RAS, presente em mais de 90% dos tumores pancreáticos. Durante décadas, cientistas tentaram desenvolver medicamentos capazes de bloquear essa proteína, sem sucesso.
O daraxonrasib é apontado como uma das primeiras terapias capazes de agir efetivamente contra diferentes variantes dessas mutações.
A empresa norte-americana Revolution Medicines informou que pretende encaminhar os resultados para análise da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos.
O medicamento já recebeu classificações especiais que permitem análise prioritária pelas autoridades americanas.
No Brasil, uma eventual aprovação ainda dependerá da avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mesmo após uma possível autorização, especialistas avaliam que a incorporação ao sistema público de saúde poderá enfrentar desafios financeiros devido ao alto custo dos novos tratamentos oncológicos.
Apesar disso, os resultados apresentados em Chicago são vistos por pesquisadores como um dos avanços mais importantes dos últimos anos no combate ao câncer de pâncreas, uma das doenças com menor taxa de sobrevivência entre todos os tipos de câncer.
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