Rolim de Moura - RO, Quarta-Feira, 03 de Junho de 2026 - 00:00

Novo remédio dobra sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas e emociona congresso mundial de oncologia

Estudo apresentado na maior conferência de oncologia do mundo mostrou redução de 60% no risco de morte e pode mudar o tratamento da doença.

Fonte: Rolnews - Em Saúde - 03/06/2026 09:16:00 hrs

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Novo remédio dobra sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas e emociona congresso mundial de oncologia

Um novo medicamento experimental contra o câncer de pâncreas avançado apresentou resultados considerados históricos pela comunidade científica internacional. O daraxonrasib foi destaque na sessão plenária da American Society of Clinical Oncology (ASCO), realizada em Chicago, nos Estados Unidos, após demonstrar capacidade de praticamente dobrar a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas metastático que já não respondiam à quimioterapia.

Os resultados foram apresentados durante a fase 3 do estudo clínico RASolute 302, considerada a etapa mais rigorosa antes da aprovação de um novo tratamento. O desempenho do medicamento provocou aplausos de pé durante a apresentação dos dados, algo incomum em congressos científicos.

Estudo mostrou redução de 60% no risco de morte

A pesquisa envolveu 500 pacientes com câncer de pâncreas metastático, divididos aleatoriamente entre dois grupos: um recebeu o daraxonrasib em comprimido diário e o outro continuou com a quimioterapia convencional.

Os resultados chamaram a atenção da comunidade médica:

  • Sobrevida mediana de 13,2 meses com o novo medicamento;
  • Sobrevida mediana de 6,6 meses com a quimioterapia tradicional;
  • Redução de 60% no risco de morte;
  • Tempo de controle da doença de 7,3 meses contra 3,5 meses do tratamento convencional;
  • Redução mensurável do tumor em 31% dos pacientes tratados com o comprimido.

Outro dado considerado relevante foi a baixa taxa de interrupção do tratamento por efeitos colaterais. Apenas 1,2% dos pacientes precisaram suspender o uso do medicamento, contra 11,2% entre aqueles submetidos à quimioterapia.

Segundo os pesquisadores, os resultados são suficientes para que o daraxonrasib passe a ser considerado o novo padrão de tratamento para pacientes com câncer de pâncreas metastático em segunda linha.

Especialistas classificam resultado como avanço histórico

Presente na apresentação dos resultados, o oncologista Stephen Stefani, da Americas Health Foundation, afirmou que raramente um medicamento reúne ao mesmo tempo baixa toxicidade, ganho expressivo de sobrevida e um mecanismo inovador de ação.

Segundo ele, o estudo demonstrou benefício clínico real para pacientes que até então possuíam poucas alternativas terapêuticas.

O especialista destacou ainda que os 13,2 meses representam uma mediana estatística, o que significa que parte dos pacientes obteve resultados ainda melhores.

Por que o câncer de pâncreas é tão difícil de tratar

O câncer de pâncreas é considerado um dos tumores mais agressivos da medicina. Na maioria dos casos, a doença não apresenta sintomas nas fases iniciais e acaba sendo diagnosticada apenas quando já está avançada ou espalhada para outros órgãos.

Atualmente:

  • Cerca de 60 mil pessoas recebem o diagnóstico anualmente nos Estados Unidos;
  • Aproximadamente 50 mil morrem pela doença no país;
  • No Brasil são registrados cerca de 13 mil novos casos por ano;
  • Aproximadamente 12 mil pacientes morrem anualmente.

Grande parte da dificuldade no tratamento está relacionada às mutações da proteína RAS, presente em mais de 90% dos tumores pancreáticos. Durante décadas, cientistas tentaram desenvolver medicamentos capazes de bloquear essa proteína, sem sucesso.

O daraxonrasib é apontado como uma das primeiras terapias capazes de agir efetivamente contra diferentes variantes dessas mutações.

Aprovação ainda depende de órgãos reguladores

A empresa norte-americana Revolution Medicines informou que pretende encaminhar os resultados para análise da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos.

O medicamento já recebeu classificações especiais que permitem análise prioritária pelas autoridades americanas.

No Brasil, uma eventual aprovação ainda dependerá da avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mesmo após uma possível autorização, especialistas avaliam que a incorporação ao sistema público de saúde poderá enfrentar desafios financeiros devido ao alto custo dos novos tratamentos oncológicos.

Apesar disso, os resultados apresentados em Chicago são vistos por pesquisadores como um dos avanços mais importantes dos últimos anos no combate ao câncer de pâncreas, uma das doenças com menor taxa de sobrevivência entre todos os tipos de câncer.

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