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Fonte: Uol, Folha - Em Geral - 06/01/2020 01:46:00 hrs

Na tentativa de prevenir a gravidez na adolescência, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos estuda criar programa que estimule jovens a não fazer sexo ou a adiar o início da vida sexual.
A secretária nacional de família, Angela Gandra Martins, diz que a pasta avalia atualmente modelos de políticas “de abstinência sexual”. Segundo ela, a ideia é criar um programa para conscientizar jovens sobre o que é uma relação sexual e sobre suas consequências.
Questionada se a proposta também deve estimular a oferta e uso de preservativos, Martins afirma que a pasta estuda uma “nova visão”, um “outro caminho” para o combate à gravidez na adolescência. Em nota, o ministério afirma que a política do uso de contraceptivos está a cargo do Ministério da Saúde e que o modelo será complementar.
A proposta é semelhante à defendida por movimentos como o Eu Escolhi Esperar, que defende que jovens cristãos esperem o casamento para terem relações sexuais.
Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2017, ano dos últimos dados consolidados, houve 480.925 nascimentos de bebês com mães entre 10 e 19 anos, o equivalente a 16% dos nascidos vivos.
Em nota, a Sociedade Brasileira de Pediatria diz que desconhece programa com foco em abstinência sexual, mas diz que “um dos itens essenciais na abordagem da adolescência, preconizado pelo SUS e respaldado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, é o direito do indivíduo de conhecer seu próprio corpo e receber informações e cuidados adequados à saúde reprodutiva”.
Ensino diversificado
Na Suíça, crianças de menos de cinco anos brincam com bonecos que mostram que os corpos de meninos e meninas são diferentes. Eles aprendem também que algumas crianças têm dois pais ou duas mães. E que tudo bem as pessoas serem diferentes.
Em algumas escolas, existe até o "dia do sexo", quando os estudantes assistem a palestras sobre sexualidade. Eles aprendem também a não discriminar pessoas por causa da orientação sexual. Para isso, participam de conversas com bissexuais e transgêneros, por exemplo, que contam as suas histórias e respondem dúvidas.
O país é visto como exemplo mundial por uma razão bastante prática. A taxa de gravidez na adolescência na Suíça é a menor da Europa: apenas 0,8% das mães tem menos de 20 anos. A média na Europa é de 4%.
No Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde, a cada 1.000 grávidas, 68 são adolescentes. O número é considerado altíssimo.
Diminuir esses números é importante. Mas os países que têm maior sucesso na prevenção da gravidez na adolescência e na diminuição da contaminação por doenças sexualmente transmissíveis não são aqueles que pregam que as pessoas não façam sexo, mas, aqueles que tratam do assunto abertamente, sem tabus. E dão informação que podem fazer alguns pais arregalarem os olhos, mas que funcionam.
A educação sexual, tanto na Suíça como na Alemanha, é obrigatória por lei. Para "evitar" que os filhos estudem as matérias, os pais têm que contratar advogados e enfrentar a Corte.
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