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Fonte: g1 PR - Em Polícia - 17/10/2024 09:57:00 hrs

Uma criança de 9 anos invadiu um hospital veterinário e matou 23 animais de pequeno porte, na noite de domingo, 13, em Nova Fátima, no interior do Paraná. A ação chocou a cidade de pouco mais de 7 mil habitantes, no norte do Estado.
Embora maltratar animais seja crime, agravado em caso de morte, por ter apenas 9 anos o menino é inimputável, ou seja, não pode ser responsabilizado criminalmente, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente. O caso foi apresentado à Polícia Civil para efeito de eventual ação indenizatória contra os responsáveis pelo menor.
O espaço foi inaugurado um dia antes e o garoto, que mora nas imediações, tinha visitado a fazendinha durante a abertura. No dia seguinte, ele pulou a cerca, atacou os animais com chutes e arremessos contra a parede, alguns deles foram esquartejados.
Segundo a Polícia Militar, a corporação foi acionada ainda no domingo pela proprietária do local para atender a ocorrência que envolvia a morte de diversos animais e logo identificou o menino responsável através das imagens das câmeras de segurança.
Em conversa com os policiais, a criança deu detalhes de como havia praticado as ações. Para entrar no recinto, ele pulou o cercado.
A dona da fazendinha examinou as imagens das câmeras de vigilância e se surpreendeu ao ver a criança chutando os bichos. A filmagem mostra que ele ficou cerca de 40 minutos no local. Alguns animais foram arremessados contra a parede e outros tiveram as patas arrancadas. Três animais foram lançados contra a vidraça e foram encontrados do lado de dentro do hospital.
“Como uma criança de 9 anos é a autora, não há implicações criminais. O boletim de ocorrência e outras informações foram repassados ao Conselho Tutelar”, afirmou a polícia.
O Estatuto da Criança e do Adolescente ainda afirma que medidas podem ser tomadas por autoridades competentes para casos envolvendo crianças até 12 anos, como encaminhamento aos pais ou responsável, orientação, apoio e acompanhamento temporários; inclusão em serviços e programas oficiais ou comunitários , requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial, entre outros.
Processo civil descartado
Os responsáveis pelo garoto - que mora com os avós - podem ser acionados na esfera civil, e não criminal, mas uma eventual reparação vai depender do proprietário do hospital acionar a Justiça para cobrar a indenização dos danos. Entretanto, de acordo com Lúcio Barreto, isso não deve ocorrer.
"O caso tomou uma proporção que a gente não imaginava, o pessoal está falando muita coisa, tanto da gente quanto da criança, eles culpam a gente pela criança ter entrado aqui. Palavras de ódio para criança também, o que é absurdo", afirma Lúcio Barreto, veterinário e um dos proprietários do local.
"Querendo ou não fez uma coisa horrível, mas é uma criança de 9 anos, a gente não queria isso. Na verdade, a gente só queria que o menino procurasse ajuda, que a família procurasse ajuda para esse menino para que não acontecesse coisas piores no futuro", desabafa Lúcio.
Conselho tutelar e MP acompanham caso
O Conselho Tutelar de Nova Fátima disse que "está tomando todas as providências necessárias".
De acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR), a Promotoria de Justiça do município abriu procedimento para apurar o caso. O MP afirma que a criança vai receber acompanhamento de uma equipe multidisciplinar.
Além disso, o MP esclarece que serão investigados casos de mensagens de ódio dirigidas à criança e sua família para "eventual responsabilização dos envolvidos".
Nova Fátima, no interior do Paraná, tem 7,2 mil habitantes, de acordo com o Censo 2024 do IBGE.
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