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Polícia
Fonte: g1 - Em Polícia - 29/10/2025 10:22:00 hrs

Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, levaram pelo menos 64 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, uma das principais da região, ao longo da madrugada desta quarta-feira (29), o dia seguinte à operação mais letal da história do RJ.
Desde terça (28), já são 128 mortes. O governo tinha informado que, dos 64 mortos divulgados no último balanço oficial, 60 são suspeitos e 4 são policiais civis e militares.
Os corpos levados à praça não constavam nos números oficiais, informou o secretário da PM, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, nesta quarta.
Haverá uma perícia para ver se há relação entre essas mortes e a operação.

Reprodução/Redes Sociais
O g1 apurou ainda que os corpos, todos de homens, estavam na área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde se concentraram os confrontos entre as forças de segurança e traficantes.
Segundo apurou o g1, o objetivo do traslado dos corpos até a praça foi facilitar o reconhecimento por parentes. Moradores os deixaram sem camisa para agilizar esse processo, a fim de deixar à mostra tatuagens, cicatrizes e marcas de nascença.
Muitos dos mortos tinham feridas a bala – alguns estavam com o rosto desfigurado.

Reprodução/AP Photo/Silvia Izquierdo
Segundo as autoridades, 81 suspeitos foram presos na terça-feira (28) e quase 100 fuzis foram apreendidos.
Como tudo começou
Trata-se de mais uma etapa da Operação Contenção, uma iniciativa permanente do governo do estado de combate ao avanço do CV por territórios fluminenses.
Pelo menos 2.500 agentes das forças de segurança do RJ saíram para cumprir quase 100 mandados de prisão. Na chegada das equipes, ainda no fim da madrugada, traficantes reagiram a tiros e com barricadas em chamas. Um vídeo mostra quase 200 disparos em 1 minuto, em meio a colunas de fumaça.
A Polícia Civil afirmou ainda que, em retaliação, criminosos lançaram bombas com drones. Outros fugiram em fila indiana pela parte alta da comunidade, em uma cena semelhante à disparada de bandidos em 2010, quando da ocupação do Alemão.
Balanço da operação
Operador do CV preso
Entre os mais de 80 presos está Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, um dos chefes do Comando Vermelho da região. Outro capturado é Nicolas Fernandes Soares, apontado como operador financeiro de um dos altos chefes do CV, Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso.
O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, afirmou que a operação foi desenhada com antecedência e não contou com apoio do governo federal.
Em entrevista, o governador do RJ, Cláudio Castro, admitiu que não pediu ajuda para o Governo Federal para a realização da operação, pois, segundo ele, a ajuda federal dependeria da decretação da Garantia da Lei e da ordem (GLO) e que houve um mal-entendido sobre a declaração dele, mais cedo.
"Não, não houve, porque o que a gente considera que é o que a gente precisa deles para a operação seria a questão dos blindados. Essa era a necessidade, uma necessidade que nós já sabemos, pelas outras três experiências, que a gente não conta com a possibilidade de ajuda, em virtude de não haver possibilidade de GLO. Com certeza, houve uma leitura errada da minha fala."
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