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Fonte: Jornal Rondônia - Em Polícia - 28/08/2025 02:24:00 hrs

Megaoperação de grandes proporções foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (28), tendo como alvo um esquema criminoso que unia o Primeiro Comando da Capital (PCC) e operadores do mercado financeiro da Faria Lima, em São Paulo. Considerada a maior ação já realizada contra o crime organizado no Brasil, a operação cumpre centenas de mandados de prisão, busca e apreensão em oito estados.
Coordenada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em parceria com a Receita Federal, a ação — batizada de Carbono Oculto — tem como foco desarticular uma rede de fraudes no setor de combustíveis, utilizada também para lavagem de dinheiro em larga escala.
Estrutura do esquema
De acordo com a Receita Federal, o grupo criminoso atuava em todos os elos da cadeia de combustíveis: desde a importação e produção até a distribuição e venda ao consumidor final. Para ocultar os ganhos ilícitos, os valores eram injetados no sistema financeiro por meio de fintechs e fundos de investimento.
Entre 2020 e 2024, uma rede de 1.200 postos movimentou cerca de R$ 52 bilhões, mas declarou apenas R$ 90 milhões em tributos, o que equivale a 0,17% do total. Já os fundos de investimento ligados ao esquema chegaram a administrar R$ 30 bilhões.
Alvos e bloqueios
Entre os alvos estão as instituições financeiras BK e Banrow, as usinas sucroalcooleiras Itajobi e Carolo, além dos operadores Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo” ou “João”, e Roberto Augusto Leme da Silva, apelidado “Beto Louco”. Ambos têm ligação com as distribuidoras Aster e Copape.
Ao todo, são cumpridos mandados contra cerca de 350 pessoas físicas e jurídicas em estados como São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Goiás, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Paralelamente, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ajuizou ações para bloquear R$ 1 bilhão em bens dos investigados, incluindo imóveis de luxo e veículos.
Fraudes e adulteração
O esquema incluía a importação fraudulenta de combustíveis, com mais de R$ 10 bilhões em produtos adquiridos no exterior em nome de empresas de fachada. Além da sonegação de tributos, houve ainda a prática de adulteração: o metanol, importado sob falsas finalidades, era usado para fabricar gasolina irregular, trazendo riscos diretos ao consumidor.
A Receita Federal já constituiu R$ 8,6 bilhões em créditos tributários contra os envolvidos e autuou postos de combustíveis em R$ 891 milhões por irregularidades.
Lavagem de dinheiro e ocultação
As investigações mostram que lojas de conveniência, padarias e administradoras de postos também foram usadas para lavar dinheiro em espécie. Uma fintech ligada ao grupo funcionava, na prática, como um “banco paralelo”, movimentando R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024. Apenas entre 2022 e 2023, a empresa recebeu mais de 10 mil depósitos em espécie, somando R$ 61 milhões — operação considerada atípica para instituições do setor.
Mobilização nacional
A operação envolve 350 auditores da Receita Federal, além de equipes do Gaeco (MPSP e MPF), da Polícia Federal, das Polícias Civil e Militar, da Secretaria da Fazenda de São Paulo, da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da Procuradoria-Geral do Estado.
A força-tarefa afirma que o objetivo é enfraquecer financeiramente o crime organizado, atingindo tanto a base operacional nos postos de combustíveis quanto os mecanismos sofisticados de ocultação financeira mantidos por operadores do mercado.
Origem do nome
O título Carbono Oculto foi escolhido justamente para simbolizar a ideia de riqueza ilegal escondida dentro da cadeia do combustível. A referência ao carbono remete ao elemento presente na gasolina e no diesel, enquanto a palavra “oculto” traduz a forma como os recursos eram mascarados em fintechs e fundos de investimento, dificultando o rastreamento das operações ilícitas.
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