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Manifestantes bolivianos impedem entrada de produtos brasileiros na fronteira com RO

Trabalhadores fecharam porto em Guayaramerín e estão acampados desde o dia 14 de maio. Produtos básicos estão em falta na cidade e há fome, dizem grevistas.

Fonte: Por Júnior Freitas, G1 Guajará-Mirim e Região - Em Geral - 05/06/2018 08:33:00 hrs

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Manifestantes bolivianos impedem entrada de produtos brasileiros na fronteira com RO

Os produtos brasileiros oriundos de exportação ou do comércio transfronteiriço não estão entrando em território boliviano há quase um mês na fronteira entre Guajará-Mirim (RO) e Guayaramerín (Bolívia), a cerca de 330 quilômetros de Porto Velho.
O motivo do impedimento é uma manifestação de barqueiros de duas associações do país vizinho, que alegam serem diretamente prejudicados após a vigoração do Decreto 99704/1990, que regulamenta o canal de exportações entre os dois países, especificamente na fronteira das duas cidades.
Revoltados com a nova medida, que foi firmada em 1990, mas só entrou em vigor 28 anos depois, os trabalhadores resolveram fechar o porto boliviano e estão acampados no local desde o último dia 14 de maio, quando a Lei começou a valer.
Segundo a liderança do movimento, pelo menos 70 embarcações e 1,5 mil trabalhadores estão paralisados e só vão liberar o porto quando tiverem um posicionamento favorável dos governos do Brasil e Bolívia em relação ao caso.

Os grevistas afirmam que produtos básicos estão em falta e muitas famílias já passam fome no município, que tem aproximadamente 42 mil habitantes. Os principais itens de consumo são o arroz, feijão, macarrão, açúcar, frango, carne, óleo e azeite, entre outros.
Ao G1 nesta terça-feira (5), o cônsul da Bolívia em Guajará-Mirim, Alexander Guzmán, explicou que nesta semana haverá uma reunião em La Paz com autoridades do governo boliviano para abordar a questão.

"A situação é grave e será discutida. O povo está sofrendo há 25 dias, desabastecido. Não seria justo que paguemos impostos ao Brasil e a Bolívia pelo mesmo produto e que o povo seja prejudicado. Nos interessa a dimuição da taxa. A cidade de Riberalta também é afetada, porque era abastecida com os produtos", declarou o diplomata.

O que querem os manifestantes bolivianos
 
Uma das líderes do movimento, Eliza Mapaquine, disse em entrevista ao G1 que a classe reivindica que os produtos brasileiros de até 2 mil dólares venham com nota de exportação e descontos nas taxas, para que os preços fiscais na aduana boliviana sejam menores.
Para os grevistas bolivianos, a medida prejudica o setor de barqueiros, conhecidos na região como "Pec-Pecs", já que eles sobrevivem exclusivamente da economia gerada pelo comércio da região.

"No momento temos que pagar duas taxas, uma no Brasil e outra aqui, dependendo do produto que é vendido. Queremos que a mercadoria venha com o certificado de origem, assim pagaríamos um imposto menor na Bolívia. Essa medida nos fere e afeta a todo um povo, ninguém sairá daqui até que nos deem uma solução. A solução é nos deixarem trabalhar com a mínima quantia de mil dólares de importação, isso que queremos", diz.
Outra manifestante é Angelica Mapaquine, que afirma ser este o pior momento da economia da cidade em toda a história.
 

"Há fome, escassez de alimentos, muita gente passa necessidade. Nunca houve momento pior em nossa história, a situação é crítica em Guayaramerín. A população apoia nosso movimento e recebemos doações de mantimentos para continuarmos acampados aqui", relata.

O que diz a Receita Federal
 
Segundo a Receita Federal, a norma que regulamenta o canal de exportações já está em vigor e quem quiser exportar mercadorias deve se adequar ao novo sistema de transportes credenciados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
Em relação a descontos nas taxas da compra de produtos de até 2 mil dólares, que é uma das reivindicações dos manifestantes bolivianos, a Receita informou que este tipo de negociação não se trata de exportação, mas sim de comércio transfronteiriço, sendo assim, o desconto não pode ser aplicado.

Em entrevista coletiva no último dia 22 de maio, o órgão divulgou dados oficiais que mostram que o Brasil deixou de recolher pelo menos R$ 80 milhões em tributos federais nos últimos cincos anos na região de fronteira com a Bolívia e que o Decreto 99704/1990 é essencial para que o país recolha os impostos corretamente.
 

Novos fechamentos podem ocorrer na fronteira
 
Apesar da manifestação, o fluxo turístico não foi afetado até esta terça-feira (5), porém essa possiblidade existe, já que a situação na fronteira entre as duas cidades ainda permanece tensa e incerta.
Os manifestantes ameaçam fazer novos fechamentos na Bolívia, proibindo entrada e saída de turistas, estudantes e trabalhadores brasileiros, caso não sejam atendidos.

Manifestantes bolivianos impedem entrada de produtos brasileiros na fronteira com RO

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