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Mãe obriga filho de 2 anos comer ração na vasilha do cachorro

A Polícia Civil investiga uma mãe suspeita de obrigar um menino deficiente de dois anos a comer a ração do cachorro e ainda registrar a cena, em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia.

Fonte: - Em Polícia - 18/04/2019 08:33:00 hrs

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Mãe obriga filho de 2 anos comer ração na vasilha do cachorro

A Polícia Civil investiga uma mãe suspeita de obrigar um menino deficiente de dois anos a comer a ração do cachorro e ainda registrar a cena, em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia. No vídeo, a mulher conversa com a criança, que está deitada no chão, com o rosto dentro da vasilha do animal. Além dela, uma tia-avó materna da criança também participou.

O menino não anda. Os pais dele negaram intenção “pejorativa ou maldosa” na filmagem, “uma vez que a criança é muito amada e cuidada por todos ao seu redor” e dizem estar sofrendo com a grande repercussão do caso. “[O sofrimento acontece] Por crueldade e irresponsabilidade de sua avó paterna que, ao ver o vídeo em um grupo familiar, distorceu os fatos e jogou as imagens nas redes sociais de forma negativa, gerando interpretação errada do contexto real das gravações (sic)”, diz o texto.

No vídeo, as mulheres mandam o cachorro se afastar e riem da criança. Na gravação, elas chamam a criança pelo nome do cão e usam um “filho” ou “2” logo em seguida. Mãe: “Ei, menino, você não vai almoçar, não?”. O caso foi denunciado pela avó paterna na quarta-feira (4). Ela afirma que o garoto tem insuficiência múltipla e mora com a mãe e a tia-avó.

Nos fins de semana, o menino fica com a avó paterna, que afirmou já ter recebido ele com alguns machucados e que sempre “tira a história a limpo”. Ela contou ainda que estava assistindo televisão quando o celular tocou e ela viu uma mensagem da tia-avó do neto.

“Na mensagem tinha um vídeo com imagens do menino se ‘rastejando’ para comer na vasilha de ração dos cachorros da casa”, consta o depoimento. A avó paterna diz que recebeu em seguida uma mensagem com o texto “vem fazer almoço para mim vovó! Estou tendo que improvisar um lanchinho”. A mulher contou que foi buscar a criança imediatamente. Depois, a mãe da vítima foi a casa dela e discutiram por causa do vídeo.

O delegado Vicente Gravina afirmou que mãe e tia-avó podem responder por constrangimento de crianças e adolescentes. Ninguém foi preso, porque não houve flagrante. “A avó recebeu o vídeo da tia da mãe do menino e ficou inconformada. Essa tia que gravou e a mãe acompanhou tudo. De imediato a avó foi na casa da nora e buscou o menino, que passou mal. Então, ela veio hoje aqui para denunciar o caso. Vamos intimar ainda essa semana as duas mulheres para prestarem depoimento. Não sabemos ainda o objetivo das duas em gravar esse vídeo, e elas consideram aquilo como uma brincadeira. Não existiu nenhum momento ali que possa ser considerado uma brincadeira”, disse o delegado.

A advogada dos pais disse que, a denúncia “está provocando grande sofrimento e dor em todos” que cercam o menino “e que dedicam integralmente seus dias em favor de seu bem estar”. Eles dizem que a criança é “muito amada, bem cuidada e feliz” e que isso foi confirmado por visita do Conselho Tutelar e do Creas. O artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente diz que submeter criança e adolescente, sob autoridade, guarda ou vigilância dos pais ou qualquer responsável, a vexame ou a constrangimento gera pena de detenção de seis meses a dois anos.

A polícia tem a suspeita de que essa não é a primeira vez que a criança sofre maus-tratos. De acordo com o relato da avó, a criança já se alimentou em outras ocasiões na casa dela na mesma posição em que está no vídeo, como se estivesse comendo em uma vasilha de ração.

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