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Fonte: G1 RO - Em Geral - 09/12/2025 03:35:00 hrs

O Real Forte Príncipe da Beira, localizado em Costa Marques (RO), recebeu no início deste mês um dos mais importantes reconhecimentos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O monumento histórico passou a integrar a categoria de Proteção Reforçada, um título raro concedido apenas a bens considerados de valor excepcional para a humanidade e que necessitam de prioridade máxima em ações de preservação.
Com essa classificação, o Forte passa a integrar um conjunto restrito de patrimônios mundiais reconhecidos pelo Direito Internacional Humanitário, que determina salvaguardas internacionais em situações de risco, conflitos ou ameaças ao patrimônio cultural.
■ Um gigante da engenharia militar na Amazônia
Construído no século XVIII às margens do Rio Guaporé, o Real Forte Príncipe da Beira é uma das maiores fortificações coloniais da América do Sul. A obra foi erguida por Portugal como parte da estratégia de defesa das fronteiras da Amazônia Ocidental, em um momento de forte disputa territorial com a Espanha.
Segundo o Exército Brasileiro, responsável atualmente pela vigilância e preservação do espaço por meio do 6º Batalhão de Infantaria de Selva, o Brasil precisou comprovar à UNESCO três requisitos para obter o título:
a importância histórica mundial do monumento;
a existência de mecanismos legais de proteção;
e a garantia de que o local não possui uso militar ativo.
Classificado como sítio arqueológico, o Forte é considerado um testemunho da formação territorial do país, além de um marco para compreender a ocupação da Amazônia e a engenharia militar do período colonial.
■ Estrutura monumental
Com cerca de 970 metros de perímetro, o Príncipe da Beira é a maior construção militar portuguesa fora da Europa durante o período colonial. Sua planta inclui quatro imponentes baluartes — Nossa Senhora da Conceição, Santo Antônio, Santa Bárbara e Santo André Avelino — que originalmente abrigavam canhões, muitos dos quais foram furtados com o passar dos anos.
Grande parte da construção utilizou pedras retiradas do Rio Guaporé. O forte também possuía um calabouço, usado posteriormente como cela para presos chamados “degradados”.
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1950, o monumento recebe visitantes diariamente e é um dos principais pontos turísticos de Costa Marques.
■ Lendas e mitos
Em 2022, o Forte voltou ao centro das atenções devido a teorias conspiratórias nas redes sociais que o associavam à suposta "cidade perdida de Ratanabá", descrita como uma antiga civilização com tecnologia avançada. A hipótese, que viralizou no TikTok, Instagram e Twitter, foi amplamente desmentida por especialistas.
Para o arqueólogo Eduardo Goés Neves, da Universidade de São Paulo (USP), tais alegações “não têm qualquer fundamento científico” e representam apenas “delírios sem conexão com a arqueologia real”.
■ Significado do reconhecimento
Para o Exército Brasileiro, a nomeação da UNESCO reforça o valor do Forte Príncipe da Beira como patrimônio histórico mundial, destacando sua importância para a memória nacional, para a história militar e para a compreensão dos processos que moldaram a ocupação da Amazônia.
O título de Proteção Reforçada representa uma camada adicional de segurança e reconhecimento, ampliando o compromisso internacional com a preservação desse monumento de mais de 230 anos, que segue como um dos marcos mais emblemáticos da história do Brasil e da região Norte.
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