Rolim de Moura - RO, Quarta-Feira, 15 de Julho de 2026 - 00:00

Falsa médica reinjetava sangue em pacientes com câncer

Enfermeira do Samu que atuava como médica em Cuiabá, retirava sangue dos pacientes e injetava novamente, com promessa de curar câncer.

Fonte: JOÃO AGUIAR DO REPÓRTER MT - Em Polícia - 08/10/2022 09:42:00 hrs

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Falsa médica reinjetava sangue em pacientes com câncer
Mulher realizava tratamento de auto-hemoterapia, que não tem comprovações científicas de que melhoram o quadro do paciente.

A enfermeira do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que fingia ser médica atuando em uma clínica clandestina do bairro Santa Cruz, em Cuiabá, submetia pacientes com câncer terminal a tratamento de risco e sem comprovação de melhora médica.

A mulher foi descoberta pela Polícia Civil e virou alvo de investigação policial após um de seus pacientes, de 55 anos, com câncer terminal, morrer, após ‘tratamento alternativo’ com ela. O filho da vítima fez a denúncia.

De acordo com a Polícia Civil, a enfermeira fazia sessões de hemoterapia e ozonioterapia. Conforme o médico oncologista, Dr. André Crepaldi, o tratamento não tem comprovações científicas de que melhoram o quadro do paciente.

“Há uns cinco anos teve um ‘boom’ desse tipo de tratamento [hemoterapia] em que algumas pessoas relatavam que melhorava a imunidade, melhorava as dores crônicas, mas não tem nada comprovado”, explicou.

Na técnica, são retirados até 20 ml de sangue do braço da pessoa, como em um exame de sangue, e essa quantidade é imediatamente injetada no músculo do braço desse mesmo indivíduo.

Em teoria, o procedimento aumenta a imunidade do corpo. “Se você pensar racionalmente, quando você tira o sangue da pessoa e injeta no músculo de novo, é como se fosse um hematoma, uma batida que sangra lá dentro”, salientou o médico.

Porém, o Conselho Federal de Medicina não reconhece a auto-hemoterapia como um tratamento e afirma que não existem evidências científicas confiáveis de que a auto-hemoterapia seja efetiva para prevenir qualquer doença em seres humanos, segundo o parecer n° 12, emitido em 2007 pelo órgão.

Além desse tratamento, a mulher também receitou e entregou um frasco para o paciente, com uma substância desconhecida, para o paciente pingar na boca, com a promessa de que o líquido iria curá-lo do câncer terminal.

Ainda segundo o filho da vítima, após iniciar o tratamento com a falsa médica, seu pai piorou rapidamente, perdendo a fala, os movimentos das pernas e passou a se alimentar apenas com a ajuda de terceiros, até falecer, em julho deste ano.

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