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Fonte: Cenipa - Em Geral - 22/02/2026 03:33:00 hrs

Um estudo internacional publicado neste mês na revista científica Science aponta que a toxicidade dos pesticidas aumentou em todo o mundo entre 2013 e 2019, contrariando a meta global de redução dos riscos até 2030 estabelecida na Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15).
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Kaiserslautern-Landau, na Alemanha, analisou 625 pesticidas utilizados em 201 países. Para medir o impacto, os pesquisadores utilizaram o indicador de Toxicidade Total Aplicada (TAT), que considera o volume usado e o grau de toxicidade de cada substância.
Espécies mais vulneráveis
Os resultados mostram aumento da toxicidade em seis dos oito grupos avaliados:
artrópodes terrestres (insetos e aracnídeos): +6,4% ao ano
organismos do solo: +4,6%
peixes: +4,4%
invertebrados aquáticos: +2,9%
polinizadores: +2,3%
plantas terrestras: +1,9%
Houve redução apenas para plantas aquáticas (−1,7%) e vertebrados terrestres (−0,5%), grupo que inclui os seres humanos.
Segundo os pesquisadores, o aumento da toxicidade representa uma ameaça direta à biodiversidade global e dificulta o cumprimento das metas ambientais da ONU.
Brasil entre os protagonistas
O Brasil aparece como um dos países com maior intensidade de toxicidade por área agrícola, ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia.
Além disso, Brasil, China, Estados Unidos e Índia concentram entre 53% e 68% da toxicidade total aplicada no planeta.
O destaque brasileiro está relacionado ao peso do agronegócio e à produção em larga escala. Culturas como soja, algodão e milho apresentam impacto toxicológico significativamente maior em relação à área cultivada.
Classes químicas dominam impactos
O estudo aponta que o problema é altamente concentrado: em média, apenas 20 pesticidas por país são responsáveis por mais de 90% da toxicidade total aplicada.
Entre os principais impactos identificados:
inseticidas piretroides e organofosforados dominam a toxicidade para peixes e artrópodes;
neonicotinoides impactam fortemente os polinizadores;
herbicidas como acetoclor, paraquat e glifosato estão ligados a riscos ambientais e à saúde;
fungicidas e inseticidas usados em sementes afetam organismos do solo.
Meta global distante
A análise de 65 países indica que apenas o Chile deve atingir a meta da ONU de reduzir em 50% a toxicidade dos pesticidas até 2030.
Japão e Venezuela apresentam queda nos indicadores, mas ainda precisam acelerar mudanças. Já Tailândia, Dinamarca, Equador e Guatemala mostram aumento acelerado.
Todos os demais países, incluindo o Brasil, precisarão reduzir os riscos aos níveis observados há mais de 15 anos.
Caminhos para reduzir os riscos
Os pesquisadores indicam três medidas prioritárias:
substituição de pesticidas altamente tóxicos;
expansão da agricultura orgânica;
adoção de alternativas não químicas.
Tecnologias de controle biológico, diversificação agrícola e manejo mais preciso podem reduzir os impactos ambientais sem comprometer a produtividade.
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