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Polícia
Fonte: G1, Metropoles - Em Polícia - 13/09/2022 09:34:00 hrs

O homem que matou a ex-mulher e o filho a tiros em frente a uma escola infantil, no Parque São Rafael (SP), é estudante de medicina, tem registro de colecionador de armas, atirador desportivo e caçador (CAC) e tem no braço esquerdo uma tatuagem com o rosto do candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O duplo homicídio cometido por Ezequiel Lemos Ramos, de 39 anos, ocorreu na segunda-feira (12). Ele atirou no carro onde estavam Michelli Nicolich, de 37 anos, e dois filhos do casal, de 2 e 5 anos. A mulher e o menino mais novo, que se chama Luiz Inácio Nicolich, foram atingidos e não resistiram. A criança de 5 anos não se feriu.
Uma câmera de segurança registrou o Fiat Uno branco já fora de controle e batendo em um poste. Nesse momento, Michelli, que dirigia o carro, já havia sido alvejada com o primeiro tiro. As imagens mostram que, em seguida, o atirador aparece correndo, dispara novamente e sai apressado.
Veja o momento em que o atirador é preso:
Veja como o crime ocorreu:
O g1 conversou com a delegada que trabalhou no primeiro caso onde Ezequiel foi investigado por ameaçar a ex-esposa. Em entrevista, a delegada Marianne de Souza relembrou que o homem preso, nesta terça-feira (13), ameaçou ao engatilhar uma pistola encostada no cabelo da ex-mulher.
"Na época que ele foi preso apreendemos uma arma longa, calibre 12, uma pistola calibre 9 mm e mais de 150 munições de calibres diversos. A ameaça que justificou a prisão foi feita com a pistola, inclusive. Ele a ameaçou engatilhando a arma de fogo na cabelo dela", relatou a delegada.
Ainda de acordo com a delegada, a Polícia Civil descobriu que Ezequiel tinha autorização para comprar outra arma longa e que o intuito da corporação era retirar a posse de CAC do homem. "Na medida protetiva, inclusive, foi solicitada a suspensão de posse de armas. Ainda, foi oficiado o exército com a informação".
Medicina no Paraguai
O assassino confesso é estudante de medicina e está no quarto ano do curso. Ele viveu por cinco anos em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul; o município faz divisa com Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia onde ele assistia às aulas. O registro de CAC de Ezequiel o autorizava a ter um fuzil, uma pistola e uma espingarda.
Agressivo, o homem já tinha histórico de violência contra a ex-mulher. Ele chegou a ser preso em Ponta Porã no último mês de maio, após acertá-la com um soco e apontar uma arma para a cabeça dela durante uma discussão.
Testemunha
Ezequiel estava em um Fiat Mobi cinza, estacionado do outro lado da rua. A mulher buscou os dois filhos na escola e entrou no veículo. Nesse momento, o homem começou a atirar, de acordo com o relato de uma testemunha. Michelli tentou fugir com o carro, mas acabou perdendo controle do veículo e batendo contra um poste.
Prisão e uso de tornozeleira eletrônica
Em maio deste ano, Ezequiel foi detido, mas liberado sob a condição de usar tornozeleira eletrônica para garantir que não se aproximasse da ex. No entanto, em 1º de junho, a decisão foi revogada.
De acordo com a ação a que o g1 teve acesso, a Justiça entendeu que, como não houve uso de armas nas ameaças e como era réu primário, caberia a liberdade provisória, mas com monitoramento.
No entanto, no dia 24 de junho a decisão foi revogada a pedido dele. De acordo com a justiça, a medida foi concedida porque a ex-esposa já não morava mais no mesmo estado. O g1 entrou em contato com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que ainda não se manifestou sobre as decisões judiciais.
Justiça liberou tornozeleira eletrônica
A prisão preventiva do criminoso foi decretada ainda naquele mês, quando ele foi proibido de se aproximar da família. No entanto, em 1º de julho, a Justiça determinou sua soltura, com base nos documentos de CAC levados pela defesa e do fato de Ezequiel ser réu primário.
Como medida para ele permanecer solto, foi determinado que ele não falasse com Michelli, não saísse de Ponta Porã sem autorização e usasse tornozeleira eletrônica por 180 dias. O homem, no entanto, só ficou com o aparelho de monitoramento até o dia 13 de julho, pois o uso foi liberado pela Justiça devido ao fato de Michelli ter deixado o estado.
Michelli deixou Ponta Porã e se mudou para São Paulo para permanecer longe do ex. Meses depois, nesta segunda-feira, acabou morta com tiros de carabina junto com o filho de 2 anos de idade, quando estavam dentro do carro na porta da escola das crianças.
Fácil acesso a armas de fogo
Ezequiel Lemos Ramos tinha "fácil acesso às armas de fogo e um verdadeiro arsenal", segundo descreveu uma delegada de Mato Grosso do Sul que havia pedido a prisão dele em maio. O homem tinha autorização para ter armas com registro de CAC.
A delegada Marianne Cristine de Sousa, que atua em Ponta Porã, havia solicitado à Justiça quatro meses atrás que o homem fosse preso após Michelli Nicolich, que tinha 37 anos de idade, registrar um boletim de ocorrência contra ele por ter ter ameaçado atirar na cabeça dela.
No BO, a mulher chegou a informar à polícia que o então marido tinha matado três pessoas. A delegada também pediu que ele tivesse suspensa a autorização de porte de arma. Ezequiel tinha documentos para ter um fuzil, uma pistola e uma carabina, segundo a polícia.
“O acusado, com fácil acesso às armas de fogo e um verdadeiro arsenal, poderia a qualquer momento ceifar com a vida de sua companheira e de seus dois filhos menores, de modo que é notório que o mesmo poderá continuar delinquindo no decorrer da persecução penal caso mantido em liberdade, tendo em vista notícias fornecidas pela vítima de que o autor já matou cerca de três pessoas e continuou impune, mudando de cidade”, afirmou a delegada em maio.
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