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Espécies coletadas em mais de 20 anos de expedições em RO estão entre as perdas do Museu Nacional

Aranhas, lacraias e carrapatos estão entre as espécies doadas. Algumas espécies ainda não foram descritas pela ciência, pois estavam em processo de catalogação, segundo pesquisador.

Fonte: G1/RO - Em Geral - 04/09/2018 08:16:00 hrs

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Espécies coletadas em mais de 20 anos de expedições em RO estão entre as perdas do Museu Nacional

Espécies de aracnídeos que foram catalogadas e coletadas em mais de 20 anos de expedições no estado de Rondônia estão entre as peças que foram destruídas no incêndio do Museu Nacional no último domingo (2), no Rio de Janeiro.

 

De acordo com o biólogo e pesquisador Flávio Terrassini, algumas espécies ainda não foram descritas pela ciência, pois estavam em processo de catalogação. Dentre os exemplares encontrados no estado, que foram cedidos ao Museu, estavam aranhas, escorpiões, lacraias e carrapatos.

Algumas espécies, como a Carios Rondoniensis só foram encontradas em cavernas de Porto Velho. Segundo o biólogo, mais de 200 insetos de mais de 10 espécies diferentes foram cedidos ao Museu Nacional.

“Boa parte desse material era coletado no estado e enviado ao Museu Nacional para a identificação e para tombar na coleção. Cada espécie que você descreve, você tem que ter o primeiro exemplar, e eles são enviados ao Museu Nacional, ou seja, cada primeiro exemplar de espécies descobertas estavam lá, o que representa uma perda inestimável”, lamenta Flávio.

Um exemplo disso é uma aranha descrita em 1923, descoberta no Rio Juruá, que também tinha seu primeiro exemplar exposto no Museu Nacional.

“Aqui nós temos uma sala com uma pequena coleção, cerca de 500 mil exemplares, e nós gastamos o mesmo valor que o governo repassava para manter o maior museu do país. Isso mostra o quanto a parte histórica e a ciência do nosso país é negligenciada", diz o biólogo.

Essa não é a primeira perda histórica do estado. De acordo com o biólogo, no incêndio que ocorreu em 2010, no instituto Butantan, foram perdidas mais de 10 mil aracnídeos que foram cedidos pelo estado, além de mais de 200 bichos.

“Para a Copa do Mundo foram cedidos milhões. Se você pegar R$ 5 milhões, daria para manter o Museu Nacional por uns 10 anos. O descaso se reflete nessas perdas do nosso material, que produzem conhecimento”, lamenta Flávio.

Espécies coletadas em mais de 20 anos de expedições em RO estão entre as perdas do Museu Nacional

 

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