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Durante culto, homem acaba baleado por PM após discussão sobre política em Goiânia

Fonte: G1 GO - Em Polícia - 02/09/2022 05:41:00 hrs

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Durante culto, homem acaba baleado por PM após discussão sobre política em Goiânia
Reprodução

O assessor empresarial Davi Augusto de Souza, de 40 anos, foi baleado na perna dentro da Igreja Congregação Cristã no Brasil, em Goiânia, na última quarta-feira (31). Segundo a família, o motivo seria uma discussão política depois que a igreja distribuiu uma circular sobre eleições, que pede aos fiéis para não votarem em candidatos que têm plano de governo a favor da desconstrução das famílias.

O cabo da PM Vitor da Silva Lopes, que atirou, disse que foi atacado pela vítima e seus familiares e reagiu. Num dado momento, ele achou que queriam tomar sua arma e, por isso, a sacou e pediu para se afastarem, o que não foi obedecido. Para se defender, ele alega que fez um disparo na perna da vítima para cessar as agressões, sem intenção de matá-la.

A igreja publicou uma carta com recomendações em abril deste ano, que foi lida em todas as congregações, segundo o documento.

"Não devemos votar em candidatos ou partidos políticos cujo programa de governo seja contrário aos valores e princípios cristãos ou proponham a desconstrução das famílias no modelo instruído na palavra de Deus, isto é, casamento entre homem e mulher", diz a carta.

O motorista de aplicativo Daniel Augusto de Souza, de 45 anos, irmão da vítima, contesta a versão do cabo da PM. Ele estava na igreja no momento da discussão.

"Meu irmão saiu para beber água e o policial também. Do lado de fora, meu irmão, o policial e outra pessoa começaram um debate sobre quem da igreja apoia ou não o governo, que os membros não deveriam votar na esquerda, como indicaram os líderes", comentou o irmão.

O g1 não conseguiu contato com a Igreja Congregação Cristã no Brasil. A reportagem questionou ao Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) se a publicação de recomendações políticas por igrejas é considerada crime eleitoral e aguarda retorno.

A reportagem também questionou à Polícia Civil e à Secretaria de Segurança Pública se vai haver investigação do caso e o motivo de o boletim de ocorrência não ter sido registrado como tentativa de homicídio e aguarda retorno.

A Polícia Militar informou em nota, nesta sexta-feira, que o cabo da corporação estava de folga no dia da briga, que aconteceu na última quarta-feira (31), no Bairro Finsocial.

"Assim que a Polícia Militar tomou conhecimento do caso, determinou a instauração de procedimento administrativo disciplinar para apurar as circunstâncias do fato. Informamos ainda que o policial militar apresentou de forma espontânea na delegacia de Polícia Civil para os procedimentos cabíveis", diz a nota.

Davi Augusto de Souza está internado em Goiânia, passou por cirurgia na perna e segue estável, segundo o irmão dele. Ele relatou também que o culto seguia normalmente enquanto o irmão era atendido por bombeiros no corredor do templo.

O boletim de ocorrência foi registrado por lesão corporal culposa, quando não há intenção de machucar a pessoa agredida. No documento, estão apenas as versões dos policiais militares que atenderam a ocorrência.

"No local, segundo informações, houve uma discussão entre dois indivíduos e o cabo Vitor da Silva Lopes. Os indivíduos tentaram entrar em luta corporal com o policial, que para se desvencilhar de um deles efetuou um disparo que alvejou a perna do envolvido", relata o documento.

Durante culto, homem acaba baleado por PM após discussão sobre política em Goiânia
Igreja Congregação Cristão pede para fiéis não votarem em candidatos que são contra a família formada por homem e mulher, em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/ICCB

Política na igreja

Daniel Augusto contou que a briga e o tiro são, na verdade, resultado da entrada da política na igreja, que vem acontecendo há algumas semanas.

"O problema foi a entrada da política na igreja, que começou com essa guerra entre quem apoia ou não o governo. Um líder começou a fazer política durante um culto e dizer que os membros não deveriam votar em candidatos de esquerda, que chamou de 'vermelhos'", explicou Daniel.

No momento de indicação de votos, o motorista disse que levantou a mão e argumentou que a igreja não é lugar para fazer política. "Nenhum político doa dinheiro para igreja, para que falar de voto, então?", questionou.

"A partir daí, virou uma confusão séria. Os líderes se reuniram para avaliar o que ia ser feito com isso e no dia de uma reunião sobre o tema, aconteceu essa discussão e o tiro contra o meu irmão", lamentou Daniel.

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