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Saúde
Fonte: G1 - Em Saúde - 15/01/2020 03:33:00 hrs

A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou, na manhã desta quarta-feira (15), a morte de mais uma pessoa devido à síndrome nefroneural. A vítima é um homem, que não teve a identidade e a idade divulgadas até a última atualização desta reportagem. O paciente morreu no Hospital Mater Dei, região Centro-Sul de Belo Horizonte. O corpo deverá passar por exames e perícia no Instituto Médico-Legal (IML).
Uma força-tarefa investiga a relação das internações e mortes com o consumo da cerveja Belorizontina, da fabricante Backer. A substância tóxica dietilenoglicol foi encontrada em lotes do produto. Esta é a segunda morte relacionada ao caso confirmada oficialmente pela Polícia Civil. Há 18 notificações de pessoas doentes sendo investigadas.
A primeira vítima da síndrome a morrer foi Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos. Ele estava internado em Juiz de Fora e morreu em 7 de janeiro. Uma terceira morte ainda resta ser confirmada. Trata-se de uma mulher com sintomas da síndrome nefroneural em Pompéu, região Centro-Oeste de Minas Gerais. Este caso não constava no último balanço oficial da SES, mas a Secretaria Municipal de Pompéu informou ter notificado a pasta estadual.
Entre os sintomas da síndrome nefroneural estão alterações neurológicas, além de insuficiência renal. De acordo com a presidente da Sociedade Mineira de Nefrologia, Lilian Pires de Freitas do Carmo, os primeiros sinais de intoxicação por dietilenoglicol são dores abdominais, náuseas e vômitos. O tratamento é feito no hospital, com monitoração, e tem o etanol como antídoto.
Lotes contaminados com substância tóxica
A Polícia Civil investiga a presença de dietilenoglicol em cervejas da marca Belorizontina, produzidas pela Backer, empresa de Belo Horizonte. A substância teria provocado uma síndrome nefroneural que afetou 18 pessoas em Minas Gerais. O caso vem mobilizando as autoridades de saúde desde o início de janeiro.
Os sintomas da síndrome podem incluir náusea, vômito e dor abdominal, evoluindo rapidamente para insuficiência renal e alterações neurológicas. A intoxicação por dietilenoglicol foi confirmada em quatro casos, entre os quais o de um paciente que morreu em Juiz de Fora.
Um laudo divulgado pela força-tarefa que apura o caso aponta que os lotes L1 1348, L2 1348 e L2 1354 estão contaminados por dietilenoglicol e monoetilenoglicol. A Backer considera que são dois lotes, sendo L1 1348 e L2 1348 duas linhas diferentes de um mesmo lote.
A substância tóxica foi encontrada em amostras de lotes da Belorizontina, que também usa o rótulo Capixaba, e em um tanque reservatório de liquido anticogelante, usado no processo de fabricação das cervejas da Backer.
Uma perícia contratada pela própria cervejaria confirmou a presença da substância tóxica na cerveja, conforme mostra o vídeo abaixo. Em nota divulgada no início desta tarde, a empresa informou que a "ainda está em andamento" e que "precisa aguardar a conclusão dos laudos para compartilhar os resultados com a sociedade".
A cervejaria Backer negou que usa o dietilenoglicol no processo de fabricação de cerveja. A substância é um anticongelante. Especialistas dizem que ela não é usada na indústria cervejeira por não ser do gênero alimentício. A Backer disse utiliza o monoetilenoglicol no resfriamento das serpentinas. As duas substâncias foram encontradas em garrafas, mas o monoetilenoglicol é considerado menos tóxico.
Como o caso veio à tona?
O caso veio à tona no dia 6 de janeiro após circularem informações nas redes sociais de que pessoas de uma mesma família estariam hospitalizadas, em estado grave, com sintomas de uma doença ainda desconhecida.
Havia informações de que essas pessoas teriam comprado a cerveja Belorizontina em supermercados do Bairro Buritis. A empresa Backer, que fabrica a Belorizontina, negou que a bebida possa ter relação com os sintomas apresentados pelos pacientes e chegou a declarar que as mensagens eram mentirosas.
Houve contaminação no tanque da Backer?
Sim. A Polícia Civil disse em entrevista coletiva nesta segunda-feira (13) que a substância dietilenoglicol foi encontrada em um dos tanques da cervejaria Backer, em Belo Horizonte. A empresa nega que usa a substância no processo de fabricação. No mesmo tanque foi encontrada a presença de monoetilenoglicol, que é usada pela Backer como anticongelante de serpentinas e tem baixa toxicidade.
A cervejaria foi interditada?
Sim. Nesta sexta-feira (10), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) interditou a fábrica. Técnicos do ministério foram ao local e decidiram periciar todos os lotes de cerveja. O Mapa afirmou que apreendeu 16 mil litros de cerveja e que faz analises laboratoriais em amostras.
Onde o lote contaminado pode ser encontrado no Brasil?
O lote 1348, das linhas de produção L1 e L2 , da cerveja Belorizontina, fabricada pela Backer, foram vendidos para Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Distrito Federal, segundo a empresa. Duas amostras destas séries estavam contaminadas com a substância tóxica dietilenoglicol, de acordo com perícia da Polícia Civil.
Quais são os sintomas da síndrome nefroneural?
Os sintomas se iniciam com náusea/vômito e/ou dor abdominal, associados à insuficiência renal aguda grave de evolução rápida, em até 72 horas. Além disso, há alterações neurológicas, como paralisia facial e borramento visual. A média de dias entre o início dos primeiros sintomas e a internação foi de 2,5 dias.
A substância foi encontrada no sangue de pacientes?
Sim. De acordo com as investigações, exames de sangue de quatro vítimas deram positivo para a presença de dietilenoglicol, substância que pode ter provocado os sintomas de insuficiência renal e alterações neurológicas. As amostras de sangue, no entanto, não detectaram a presença de monoetilenoglicol.
Qual dose de dietilenoglicol pode ser letal?
De acordo com o superintendente da Polícia Técnico-Científica da Polícia Civil, Tales Bittencourt, a contaminação por dietilenoglicol pode ser letal com a dosagem entre 0,014mg por quilo a 0,17 mg por quilo. “Isso significa que a dose letal para um homem de 70 quilos pode ser entre 1 grama a 12 gramas” , afirmou.
A polícia trabalha com a hipótese de sabotagem?
A Polícia Civil investiga se um ex-funcionário participou de suposta sabotagem na contaminação da cerveja. No fim do ano passado, um supervisor da cervejaria chegou a registrar boletim de ocorrência de contra o ex-trabalhador, que o ameaçou. “Não posso afirmar se foi sabotagem ou se foi erro”, disse Flávio Grossi Delegado titular do inquérito na coletiva.

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