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Fonte: AutoEsporte - Em Economia - 21/03/2024 12:48:00 hrs

A Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (13), um projeto de lei que busca aumentar a mistura de etanol na gasolina.
De acordo com o texto de autoria do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), a nova margem de mistura passaria dos atuais 22% para 27%. Dessa forma, a dosagem de etanol na gasolina pode alcançar até 35% no total. Agora, a proposta seguirá para aprovação no Senado.
O projeto de lei, intitulado como “combustíveis do futuro”, também prevê o aumento na mistura do biodiesel ao diesel em 2025. Dessa forma, deve aumentar 1 ponto no percentual de mistura, que está atualmente em 14%. O intuito é subir o nível de forma gradativa para atingir a margem de 25% até 2031.
Aumentar a proporção de etanol terá consequências tanto para donos de carros com motores flex quanto movidos apenas a gasolina. É o que diz Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).
“O governo propôs um estudo e nomeou representantes que vão avaliar a viabilidade técnica deste aumento [da proporção de etanol]”, disse o especialista. “A medida será aprovada apenas se os testes forem conclusivos”. O corpo técnico formado pelo governo inclui a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural (ANP), empresas de pesquisa energética e ministérios.
No caso dos donos de carros flex, o motorista vai sentir o impacto apenas no bolso. “Para o flex, o consumo de combustível vai aumentar, considerando que o poder calorífico do etanol é menor”, afirmou Gonçalves.
Em outras palavras, o proprietário de um carro flex que enche o tanque com gasolina vai notar uma redução na autonomia total.
Porém, a situação é mais complicada para carros movidos apenas a gasolina, especialmente os mais antigos, problemas mecânicos também podem surgir.
“Alguns carros antigos não estão preparados para este teor de etanol. Podem acontecer ataques a materiais e corrosões de borrachas e elastômeros”, apontou o especialista. “Além disso, há suspeitas de que certos carros podem falhar por intervenção dos próprios sensores, que não reconhecem o combustível”.
O grupo responsável pela análise técnica do tema terá 90 dias válidos a partir da aprovação do projeto de lei, ocorrida no dia 13 de março, para responder ao governo sobre a viabilidade de aumentar a quantidade de etanol na mistura.
A medida faz parte do processo de transição energética que visa reduzir as emissões de carbono no Brasil. O etanol brasileiro é apontado como uma das melhores alternativas para a descarbonização mundial, inclusive em comparação com veículos elétricos europeus.
Além disso, o Brasil é o segundo maior produtor deste biocombustível no mundo, fator que levantou o interesse em pesquisas mais profundas.
Fabricantes como Toyota e Hyundai estudam o uso do combustível de cana-de-açúcar na geração do hidrogênio "verde", recurso que pode ser alternativa para futuros carros elétricos.
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