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Fonte: R7 - Em Política - 20/05/2026 03:28:00 hrs

Uma ala do PL (Partido Liberal) vê a promessa de prestação de contas do filme Dark Horse como um fator decisivo para apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida à presidência da República, após reunião da bancada da legenda com o pré-candidato, nesta terça-feira (19).
Flávio disse à imprensa que pediu à sua equipe jurídica a prestação de contas do valor investido no filme em 30 dias. As declarações ocorrem após reportagens revelarem a negociação entre Flávio e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, de R$ 134 milhões para a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com matérias, R$ 61 milhões foram repassados.
Governistas pediram investigações sobre possíveis irregularidades, como lavagem de dinheiro, tráfico de influência e evasão de divisas. Flávio, porém, nega as acusações e afirma que os recursos do fundo não bancaram o irmão em solo norte-americano.
Parlamentares da bancada do PL dizem que Flávio “errou feio” e que deveria ter antecipado aos aliados sobre o seu envolvimento com Vorcaro, para que houvesse tempo de criar uma defesa. Também avaliam que o senador deveria ter admitido a relação com o banqueiro ao ser perguntado sobre a cinebiografia horas antes da revelação pela imprensa.
Há uma avaliação ainda de que Flávio teria subestimado a gravidade de seus contatos com o dono do Banco Master, por não ter ainda em mente que seria pré-candidato à Presidência da República e por considerar que o empresário tinha uma série de conexões de grande porte. Segundo essa visão, o senador também teria menosprezado a possibilidade de que a sua relação com Vorcaro viesse à tona e estaria errado em insistir em esconder detalhes.
Por outro lado, conta a favor de Flávio uma crença de que ele convenceu parte dos seus apoiadores de que não tinha más intenções nessa relação e de que a lógica da busca por patrocínio ao filme “fez sentido”. A continuidade da defesa da instauração de uma comissão de inquérito no Congresso Nacional ajuda.
Há uma avaliação, ainda, de que se esperava uma queda mais acentuada nas pesquisas de intenção de voto, no que não teria se provado pelo menos no levantamento AtlasIntel. A aposta no forte sentimento “anti-Lula”, a bênção do pai e o sobrenome Bolsonaro são elementos para um entendimento de que Flávio segue o candidato mais viável para chegar ao segundo turno.
Segundo essa análise, os impactos da revelação sobre Flávio se dividem nos campos “criminal” e “moral”. O campo criminal, ou seja a possibilidade de o senador ter de fato cometido infrações em parceria com o banqueiro, seria o cenário mais difícil para apoiá-lo. Já a contradição moral, sobre Flávio ter pedido dinheiro a Vorcaro, é vista como uma dificuldade mais contornável.
As revelações sobre o filho de Bolsonaro também afetam os parlamentares de outros partidos, mas que têm votos dos conservadores. Um relevante quadro com eleitorado bolsonarista comparou o sentimento sobre Flávio como a torcida por um time de futebol: apesar de duras críticas, sua paixão não permite torcer por outro clube.
Por enquanto, atores da direita avaliam que a pressão sobre Flávio é maior dentro da política do que na população, porque são os demais parlamentares, prefeitos e vereadores que ainda examinam a viabilidade de pedir votos ao filho de Bolsonaro em seus redutos, diante da imprevisibilidade de novas descobertas.
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