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Fonte: G1 - Em Polícia - 02/11/2019 07:15:00 hrs

Três delegados de Cacoal (RO) foram afastados da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) depois do vazamento de supostos áudios que revelam detalhes da Operação Pau Oco. A ação investiga uma possível organização criminosa suspeita de favorecer empresários do ramo madereiro e de exportação, o que resultou em prisões.
A Operação Pau Oco já teve duas fases: uma em novembro de 2018 e outra em abril deste ano. Na etapa mais recente, foram cumpridos oito mandados de prisão preventiva e 45 de busca e apreensão em casas e gabinetes de autoridades e de servidores do governo passado, bem como na Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam).
Com o vazamento, o delegado geral da Polícia Civil de Rondônia, Samir Fouad Abboud, explicou que a primeira medida foi afastar os três delegados atuantes no interior do estado. "Não a título de punição porque estaria em apuração ainda. Mas eu já determinei o afastamento deles da Draco e realoquei em outras delegacias", disse.
Um procedimento foi aberto pela Corregedoria da Polícia Civil para que o caso seja apurado, além dos delegados terem o pleno direito de defesa. O delegado Samid informou ainda ter procurado o Ministério Público de Rondônia (MP-RO).
Vazam áudios da operação Pau Oco
"E esses áudios serão periciados para verificar a autenticidade deles. Podem estar editados e adulterados. Então tudo quem vai dizer é a perícia. Junto ao Ministério Público eu pedi uma apuração porque estão atacando a direção geral. Eu fui ao MP e protocolei um requerimento dando toda a liberdade e me colocando à disposição para uma investigação do MP", complementou Abboud.
Outra medida tomada pela direção geral da Polícia Civil foi solicitar que a Delegacia de Cacoal investigue esse suposto vazamento de informações e se houve a participação de algum policial. Essas informações, depois de concluídas, devem ser encaminhadas à corregedoria da corporação.
"Mas isso não vai intimidar a gente. Eu troco os delegados, mas não fecho delegacias. Nós vamos chegar a autoria desses vazamentos e vamos também continuar com as investigações da Pau Oco, assim como qualquer outro tipo de operação. Quem deve, vai pagar. E se os nossos delegados erraram, também vão pagar", concluiu Samir Fouad.
Operação Pau Oco
A operação Pau Oco foi deflagrada pela Polícia Civil no dia 5 de novembro, com o objetivo de apurar um esquema de extração ilegal de madeiras, sem qualquer verificação prévia em áreas florestais de jurisdição estadual, e o envolvimento de servidores comissionados da Sedam.
No dia 5 de novembro os agentes cumpriram 15 mandados de busca e apreensão e 10 de afastamentos de função pública. Quatro pessoas foram presas.
Já na segunda fase da operação, oito mandados de prisão foram cumpridos, além de 45 de busca e apreensão. Essa etapa apontou um esquema de fraude com notas virtuais que "esquentavam" a madeira retirada ilegalmente de áreas de proteção ambiental.
Segundo a Polícia Civil, o esquema criminoso consistia na emissão de falsas autorizações de exploração de madeira justamente nas áreas de conservação. Com isso havia o envolvimento de múltiplos segmentos da administração pública esquentado a madeira, na sequência ela iria para madeireiras e lá era exportada.
A operação também aconteceu em Espigão do Oeste (RO), Ouro Preto do Oeste (RO), Buritis (RO), Nova Mamoré (RO), Ponta do Abunã (RO) e Candeias do Jamari (RO).
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