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Fonte: G1 - Em Economia - 25/05/2022 11:17:00 hrs

Executivos da Petrobras têm alertado o governo que pode faltar diesel no país se o governo decidir segurar o preço do combustível.
O alerta tem sido feito desde o início do ano e foi reforçado nos últimos dias, depois que o presidente Jair Bolsonaro decidiu fazer novas mudanças na estatal.
O aumento mais recente, de quase 9%, foi concedido no início de maio para garantir que os importadores pudessem seguir importando o produto sem risco de prejuízo no país.
Bolsonaro não gostou do aumento e decidiu demitir tanto o ministro de Minas e Energia como o presidente da petroleira e cobrar mudanças na sistemática de reajuste de preços.
Atualmente, cerca de 30% do diesel consumido no país é importado, porque as refinarias instaladas no Brasil não têm capacidade para refinar todo o combustível utilizado aqui. Por isso, se o preço lá fora fica mais caro do que no país, os importadores deixam de trazer o produto.
A saída para o governo evitar um desabastecimento seria a Petrobras bancar essa conta, importando o produto mais caro para vender mais barato no país.
Só que, pelas regras atuais do estatuto da companhia, quem paga essa conta é a União, e não a petroleira. Aí, seria preciso mudar o estatuto, o que a atual diretoria não aceita.
Por isso a decisão de trocar não só os membros do conselho de administração como também a diretoria da empresa para promover essas mudanças.
Além disso, caso queira segurar os preços dos combustíveis durante as eleições, o governo teria também que abrir uma exceção nas regras da empresa para que a paridade de preço de importação ficasse suspensa durante um período, como o atual, influenciado por uma guerra.
Se não mudar essas regras, a estatal precisa chegar ao final do ano com seus preços equiparados aos do mercado internacional. Caso contrário, a União também tem de bancar essa conta ou fica sujeita a ações na Justiça de ressarcimento, tanto aqui como lá fora, já que a empresa tem ações negociadas na bolsa de Nova York.
Bolsonaro repete Dilma visando reeleição
Crítico dos governos petistas, o presidente Jair Bolsonaro já fez a quarta troca no comando da Petrobras para repetir o mesmo modelo adotado pela ex-presidente Dilma Rousseff: segurar os preços da gasolina, diesel e gás de cozinha para evitar desgastes políticos e econômicos.
No caso atual, Bolsonaro quer evitar novos aumentos de preços para evitar desgastes que possam colocar em risco sua reeleição.
Segundo assessores presidenciais, o novo presidente da estatal, Caio Paes de Andrade, vai assumir com a missão de fazer mudanças na sistemática de reajuste de preços dos combustíveis. A ideia é aumentar o tempo entre um e outro aumento dos combustíveis, além de fazer com que a estatal absorva parte dos custos, reduzindo sua lucratividade.
Durante o governo Dilma, para segurar a alta da inflação, a Petrobras represou o aumento dos combustíveis, causando prejuízo para o caixa da empresa e elevando o seu endividamento.
Na época, acionistas calcularam em R$ 100 bilhões o rombo no caixa da empresa pelo represamento dos aumentos de gasolina e diesel.
Agora, a volta da operação gera o risco de desabastecimento.
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