Rolim de Moura - RO, Segunda-Feira, 16 de Maio de 2022 - 00:00

Medo da sexta-feira 13? Conheça a verdadeira história da data e as superstições

Fonte: BBC, G1 - Em Geral - 13/05/2022 09:12:00 hrs

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Medo da sexta-feira 13? Conheça a verdadeira história da data e as superstições
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Você sofre do medo de sexta-feira 13? Pois parte da culpa é de um financista americano do século 19 chamado Thomas W. Lawson (veja logo abaixo).

Sexta-feira, 13, é um dia cheio de superstições para aqueles que acreditam que a data é sinônimo de azar. Reza a lenda que o número 13 pode trazer má sorte aos que não se cuidam.

Para saber mais sobre a sexta-feira 13, o g1 ouviu um numerólogo e uma sacerdotisa Wicca, uma religiosa de bruxaria moderna. Veja abaixo o que eles dizem sobre a data:

Numerologia

A origem da crença é uma incógnita, mas, para o numerólogo Pedro Martins, pode ser explicada a partir da energia que os números carregam. Os especialistas utilizam os números de 1 a 9, 11 e 22 para estabelecer uma relação entre seres vivos e forças físicas, ou mesmo para predizer características da personalidade de uma pessoa, conforme os números.

Os algarismos que não estão neste grupo, como o 13, são separados e somados para obter essa relação. Ou seja, no caso do 13, fica 1+ 3 = 4.

Pedro Martins explica que o número 13 não é bem visto, por significar transformação no tarô.

"Para a numerologia, o número 4 representa a ausência de mudança, já no tarot, o 13 significa transformação, a morte de uma parte do nosso Ser para que possamos renascer, e as pessoas costumam ser avessas a isso, então quando recebem essa carta ficam assustadas. Tendem a levar pro lado negativo e começam a pensar que tudo deu errado'', diz o numerólogo.

Mas, de acordo com Pedro, o número não tem nada relacionado ao azar ou à sorte, mas sim à chance de recomeço. Segundo o estudioso, o 13 representa força, determinação e mudanças benéficas.

"O número 13 pode ser temido por ter a chave de finalizar ou iniciar algo", aponta Pedro Martins.

Bruxas modernas

A sacerdotisa da religião Wicca (bruxaria moderna), Marina Junqueira, explica que todos os dias da semana tem a energia de um planeta. As sextas-feiras são regidas por Vênus.

"Algumas bruxas costumam acender velas e fazer preces na sexta-feira", diz Marina.

De acordo com a sacerdotisa, a explicação para a ligação do número 13 ao azar com as bruxas, seria o medo que as antigas civilizações tinham por culturas diferentes. Além disso, processos históricos, como a chacina contra os Cavaleiros Templários – uma ordem que existiu por cerca de dois séculos, na Idade Média, e que tinha o objetivo inicial de proteger os cristãos que voltaram a fazer a peregrinação a Jerusalém após a sua conquista – ocorreu em uma sexta-feira 13.

"É quase um imaginário popular que as bruxas têm algo a ver com essa data. Pra gente, as sextas são dias de muita energia e transformação então decidimos ressignificar, pegando dados relevantes como a energia de Vênus e o número 13, para tentar mudar esse pensamento negativo. Mas de fato, não tem nada que justifique'', conta Junqueira.

Origem na bíblia e na mitologia

Outra explicação para a crença, pode vir do catolicismo. A relação seria com o dia em que Jesus Cristo foi perseguido, antes de sua crucificação, o que teria ocorrido em uma sexta-feira.

Além disso, a quantidade de participantes durante o último evento de Jesus: a ceia, que contou com ele e os 12 apóstolos, totalizando 13 participantes.

''Esse pensamento trouxe muitas consequências. Em alguns prédios, no Oriente, costumam pular o número 4 [que seria a soma de 1 + 3] justamente pelo medo do azar que traz'' , diz o numerólogo Pedro Martins.

Já na mitologia, algumas pessoas acreditam que tem a ver com a história de origem nórdica que afirma que Odin teria feito um banquete e convidou outras doze divindades. Loki, que é o deus da discórdia, não teria sido convidado para reunião.

Quando Loki ficou sabendo do banquete, armou uma confusão que terminou na morte de um dos convidados. Os 12 convidados iniciais, somados a Loki, totalizavam 13 pessoas no trágico evento.

Agradeça a Lawson pelo medo

Embora a superstição seja muito antiga, creditam a Thomas W. Lawson o feito de ter fixado a data na consciência moderna com seu romance Sexta-feira 13, que conta a história sombria de um corretor de Wall Street que manipula o valor de ações para se vingar de seus inimigos, deixando-os na miséria.

Sexta-feira e o número 13 já eram associados ao azar por si só, segundo Steve Roud, autor do guia da editora Penguin Superstições da Grã-Bretanha e Irlanda. "Porque sexta-feira foi o dia da crucificação (de Jesus Cristo), as sextas-feiras sempre foram vistas como um dia de penitência e abstinência", diz ele. "A crença religiosa virou uma aversão generalizada a começar algo ou fazer qualquer coisa importante em uma sexta-feira."

Por volta de 1690, começou a circular uma lenda urbana dizendo que ter 13 pessoas em um grupo ou em torno de uma mesa dava azar, explica Roud.

As teorias por trás da associação de azar com o número 13 incluem o número de pessoas presentes na Última Ceia e o número de bruxas em um clã.

Até que esses dois elementos, a sexta-feira e o número 13, que já causavam receio isoladamente, acabaram se unindo - justamente com o livro de Thomas W. Lawson.

Mas a associação da data com Lawson não para por aí. Diz a lenda que alguns meses depois de publicar seu romance, mais precisamente na sexta-feira 13 de dezembro de 1907, um enorme barco que ele havia mandado construir e que levava o seu nome afundou.

O naufrágio aconteceu, na verdade, nas primeiras horas do sábado, dia 14, mas em Boston, onde Lawson vivia, ainda era sexta-feira 13.

O navio era o maior veleiro já construído sem uma máquina de propulsão. Ele transportava cerca de 60 mil barris de óleo leve quando afundou e o vazamento que causou é considerado o primeiro grande desastre ecológico do tipo.

A ligação de Lawson com a sexta-feira 13 foi apenas um dos motivos que o tornaram inesquecível. Outro é que ele nasceu e morreu na pobreza, depois de ter sido, no meio do caminho, um dos homens mais ricos dos Estados Unidos.

Manipulador financeiro

Lawson nasceu em 1857 em Charlestown, Massachusetts, e quando criança, perdeu o pai, um veterano da Guerra Civil que morreu em decorrência de ferimentos que havia sofrido.

Aos 12 anos ele se viu forçado a trabalhar e conquistou uma vaga como mensageiro em um banco em Boston. Lá, começou a nutrir a ambição de se tornar rico.

Ainda muito jovem ele se especializou na compra e venda de ações, e historiadores contam que ele tinha um talento excepcional para escolher os títulos que mais se valorizariam.

Mas sua fortuna seria construída de maneira questionável: usando seus conhecimentos para manipular os mercados financeiros.

Lawson se especializou em mineração, especialmente no mercado de cobre, já que Boston era o centro financeiro dessa indústria.

O boom do cobre no final do século 19 o ajudou a se tornar multimilionário.

Mas enquanto ele ficava rico, muitos dos clientes a quem assessorava perdiam enormes somas de dinheiro, o que fez dele um dos mais controversos "barões ladrões" da chamada Era Dourada.

'Amalgamated Copper Company'

Um de seus primeiros fiascos foi a orientação de investir nas minas de ferro de Grand Rivers, em Kentucky, que acabaram sendo um fracasso.

Mas seu negócio mais questionado - e o então mais lucrativo - foi sua participação na criação da Amalgamated Copper Mining Company, um conglomerado que supostamente monopolizaria a indústria do cobre, assim como a Standard Oil, dos irmãos Rockefeller, havia monopolizado o petróleo.

Lawson elaborou o acordo junto com William Rockefeller e Henry Rogers, diretor da Standard Oil.

Em 1899, a Amalgamated Copper comprou a Anaconda Copper Company, uma próspera mineradora de cobre, através de uma operação que alguns especialistas consideram "o melhor negócio na história de Wall Street" - e um dos "menos honestos", segundo alguns.

Os acionistas, ansiosos por participações na empresa promovida por grandes barões do mundo do business, pagaram uma fortuna pelos títulos, sem imaginar que se tratava de uma empresa fantasma (a Amalgamated Copper nem sequer tinha diretores reais, eram empregados da Standard Oil ).

No final, descobriu-se que a holding havia sido criada como parte de um engenhoso plano para adquirir a Anaconda Copper Company, que acabaria sendo uma das mineradoras mais importantes do mundo durante o século 20.

A Amalgamated Copper nunca monopolizou a indústria do cobre e suas ações inflacionadas perderam o valor.

De especulador a reformista

Não contente com a má fama que havia ganhado, Lawson fez novos inimigos quando, em 1906, publicou uma série de artigos sob o título "Finanças frenéticas: A história da Amalgamated", em que revelou os negócios obscuros que realizou junto com seus sócios Rockefeller e Rogers.

O material também foi publicado em formato de livro.

O multimilionário, que no início do século 20 tinha começado a sofrer grandes perdas econômicas, confessou uma série de crimes e transgressões, de suborno de membros do Legislativo a "malabarismos" com o dinheiro do povo.

Um dos capítulos do livro também denunciava "como as manipulações de Wall Street afetam o país".

Lawson havia se tornado um reformista. Ele publicou mais denúncias sobre os males do que chamou de "o sistema", incluindo seu romance Sexta-feira 13, de 1907.

No entanto, nem o público que ele havia enganado nem seus pares, que o deixaram excluído, estavam interessados ​​em ouvir suas ideias sobre como tornar o mercado financeiro mais justo.

Declínio

A excêntrica vida pessoal do magnata, que construiu um enorme complexo chamado Dreamworld (Mundo dos Sonhos) na cidade de Sciutate, além de embarcações caras, como o Thomas W. Lawson, foi dilapidando sua fortuna.

Na década de 1920, suas dívidas eram tantas que ele teve que leiloar seus bens. Ele morreu em 1925, pobre e marginalizado.

No entanto, seu legado foi mantido. Alguns ainda destacam seu brilhantismo para os negócios (em 2007, o escritor Ken Fisher o incluiu em sua lista das "100 mentes que fizeram o mercado").

Outros elogiam suas tentativas de reformar Wall Street, algo em que investiu muito dinheiro e esforço - e em que tinha faturado bastante dinheiro, antes de ver sua sorte mudar.

E há aqueles que, sem saber, desfrutam de outras genialidades saídas da mente prolífica deste financista, transformado em justiceiro e escritor.

Por exemplo, se você está lendo este texto na sala de estar de sua casa, sentada ou sentado no seu sofá, é possível que você deva seu conforto a Lawson, que mandou projetar um dos modelos de sofá mais populares dos EUA, que ainda leva o seu nome.

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