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Fonte: Estadão, Folha de São Paulo - Em Economia - 10/03/2022 06:56:00 hrs

Um dos principais líderes da greve de caminhoneiros de 2018, Wanderlei Alves, o Dedeco, diz que o Brasil tem que parar em protesto contra o aumento dos combustíveis divulgado nesta quinta (10) pela Petrobras —de 18,8% para a gasolina, 16,1% para o gás de cozinha e 24,9% para o diesel nas refinarias.
"Os caminhoneiros autônomos e os empresários de transporte têm que se unir e parar o país. Ninguém vai aguentar. As transportadoras que têm 500, mil caminhões, com milhares de funcionários para pagar, vão quebrar", afirma Dedeco.
Dedeco afirma que caminhoneiros e transportadoras são os primeiros a sentir o baque, mas logo os preços são repassados e chegam "na gôndola dos supermercados, em todos os produtos", penalizando a população brasileira.
A alta de 25% no diesel causou indignação entre os caminhoneiros. Mas, desta vez, eles não querem brigar sozinhos para a redução dos custos.
O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão, afirma que essa não é uma pauta só dos caminhoneiros, mas de toda sociedade. “Como ocorreu em 2013, com as passagens de ônibus, chegou a hora de toda população protestar, pois isso vai acabar no bolso de todo consumidor.”
Ele explica que se os aumentos forem repassados para o frete, todos os produtos vão encarecer nos supermercados, lojas e shoppings.
Questionado sobre uma paralisação apenas dos caminhoneiros, ele diz que isso pode ocorrer de uma forma natural, mas não orquestrada. Ou seja, com o aumentos dos custos, muitas viagens pode ser tornar inviável economicamente. Ninguém vai trabalhar no prejuízo, diz ele.
“No segmento de transportes, o que sustenta um caminhão é o petróleo. Além do diesel, temos o pneu, lubrificantes, filtros (tudo vai ter reajuste). Como o motorista vai sobreviver.”
Chorão não acredita que as medidas que estão sendo propostas pelo governo serão suficientes para reverter a situação. “É tapar o sol com a peneira. É apenas um paliativo.”
Ele defende que se coloque um fim ao preço de paridade de importação (PPI) adotado pela Petrobras e das privatizações das refinarias. “O que temos de ter em mente é que não parou por ai. Daqui a pouco vem mais 11% de reajuste.”
Após 57 dias, a Petrobras anunciou aumento de 25% do diesel e de 19%, da gasolina. Com a escalada dos preços do petróleo por causa da guerra entre Rússia e Ucrânia, a estatal não conseguiu segurar os reajustes. Ainda assim, o preço no mercado interno está abaixo do avanço da commodity no mercado internacional.
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