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Fonte: G1 - Em Economia - 29/10/2021 04:43:00 hrs

O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), formado pelo governo e representantes dos estados, aprovou nesta sexta-feira (29) o congelamento por 90 dias do chamado "preço médio ponderado ao consumidor final". É sobre esse preço médio que incide o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) estadual cobrado nas vendas de combustíveis.
A medida ocorre em meio à forte alta dos combustíveis, provocada pelo aumento do petróleo no mercado internacional e pela disparada do dólar - fatores levados em conta pela Petrobras para calcular o preço do nas refinarias.
Nesta semana, a Petrobras anunciou um novo reajuste no preço da gasolina e do diesel para as suas distribuidoras. O aumento foi de 7,04% para o litro de gasolina nas refinarias e de 9,15% para o diesel.
Com esse novo reajuste, postos de combustíveis em Rolim de Moura vendem o litro da gasolina a quase R$ 7 e o do diesel a quase R$ 6.
Segundo o governo, o objetivo do congelamento do preço médio ponderado, sobre o qual incide o ICMS, é tentar manter os preços nos valores vigentes em 1º de novembro de 2021 até 31 de janeiro de 2022.
A medida, segundo os representantes dos estados, "visa reduzir o impacto dos aumentos impostos pela Petrobras e dar tempo para se pensar em uma saída para os reajustes consecutivos".
Como funciona
Pelo modelo atual, que deixa de vigorar até o fim de janeiro, cada estado define o chamado "preço médio ponderado ao consumidor final" a cada 15 dias.
Como tem mudança a cada 15 dias, todo aumento de preço nas refinarias altera o preço médio e eleva o ICMS.
Com o congelamento do preço médio ponderado por 90 dias, os aumentos da Petrobras anunciados até janeiro não serão considerados na base de cálculo do ICMS — atenuando o impacto dos reajustes dos combustíveis nas refinarias.
Medida não impede novos reajustes de combustíveis
Entretanto, esse congelamento do preço médio ponderado não impedirá que eventuais reajustes anunciados pela Petrobras nas refinarias sejam repassados aos preços dos combustíveis na bomba.
A empresa, que registrou lucro de R$ 31,1 bilhões no terceiro trimestre, continuará reajustando os combustíveis com base no preço internacional do petróleo e da taxa de câmbio (dólar).
Como o ICMS não é o único fator que encarece o preço na bomba, mudança dos outros fatores pode continuar elevando o preço para o consumidor final.
Projeto sobre ICMS no Congresso
A decisão do governo e dos estados de congelar por 90 dias o preço médio ponderado ao consumidor final do ICMS aconteceu após a Câmara dos Deputados ter aprovado um projeto que muda o cálculo da tributação dos combustíveis para tentar baixar o preço cobrado ao consumidor final. Para ter validade, o texto ainda precisa passar pelo Senado.
Os preços internacionais do petróleo e a alta do dólar devido as instabilidades políticas e econômicas no país são os fatores primordiais que incidem nos preços da gasolina, etanol e diesel.
O principal "motor" das altas da gasolina e do diesel vem sendo o real desvalorizado. A moeda americana subiu quase 30% em 2020 e quase 9% em 2021. Além disso, o petróleo Brent atingiu, em setembro, as máximas em mais de 3 anos. Hoje, o barril está cotado em cerca de US$ 84.
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