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Fonte: G1, BBC Brasil - Em Economia - 06/04/2021 08:29:00 hrs

A Petrobras anunciou, na última segunda-feira (5), um reajuste de 39% no preço do gás natural vendido às distribuidoras, com vigência a partir de 1º de maio.
Num ano em que a estatal já aumentou os preços da gasolina em 46,2%, do diesel em 41,6% e do gás de botijão em 17%, o reajuste de quase 40% de uma só vez no gás natural assustou os consumidores.
Mas muito do susto vem de uma confusão comum: a de achar que gás natural e gás de botijão são a mesma coisa. Mas não são.
No Brasil, 91% das famílias usam gás de botijão para cozinhar, enquanto apenas 8% usam gás encanado (como é chamado o gás natural), segundo dados de 2019 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O gás natural é destinado principalmente para a indústria (43%), geração de energia elétrica (38%) e veículos movidos a gás (9%), com as residências respondendo por apenas 2% do consumo desse combustível no país, conforme dados de 2020 da Abegás popularmente (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado).
Mas isso não significa que o consumidor não tenha com o que se preocupar. Segundo especialistas, embora o efeito do reajuste do gás natural não seja tão imediato para as famílias como o aumento da gasolina e do gás de botijão, esse impacto deve sim chegar aos consumidores finais, mas de forma indireta.
Isso porque o gás natural representa um gasto expressivo para parte relevante da indústria, que deve repassar a alta de custos para o consumidor através dos produtos vendidos. O consumidor também deve sentir a alta do gás natural na conta de luz, já que o custo para geração térmica deve subir, o que tende a ser repassado aos preços pelas distribuidoras de energia, por ocasião de seus reajustes anuais.
Entenda a seguir como o reajuste de 39% do gás natural vai afetar o seu bolso.
1. Qual a diferença entre gás natural e gás de botijão?
O gás natural é aquele que chega às residências encanado, vendido por distribuidoras como a Comgás, em São Paulo, e a Gasmig, em Minas Gerais. Já o gás de botijão tem o nome técnico de GLP (gás liquefeito de petróleo) e é vendido por distribuidoras como Ultragaz, Liquigás, Supergasbras, Nacional Gás e Copagaz.
A principal diferença entre os dois combustíveis é que o GLP é produzido a partir do refino de petróleo, assim como a gasolina e o diesel, enquanto o gás natural é extraído diretamente de reservatórios no subsolo.
2. O que levou ao reajuste de 39% do gás natural de uma vez?
Segundo a Petrobras, são três os fatores que levaram a esse reajuste impressionante: a alta recente do petróleo, a taxa de câmbio e o reajuste da parcela do preço referente ao transporte do gás pelo IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), índice de inflação que acumula alta de 31% em 12 meses até março.
Diferentemente da gasolina, diesel e gás de botijão, que são reajustados pela Petrobras sem uma periodicidade fixa, o gás natural é reajustado pela empresa trimestralmente. Isso significa que a alta ou queda de custos fica represada durante três meses, até ser repassada pela estatal às distribuidoras.
3. Como o reajuste de 39% do gás natural deve afetar as famílias?
O reajuste anunciado pela Petrobras deve chegar ao consumidor de duas formas, uma direta e outra indireta.
O repasse direto deve afetar a parcela de consumidores que usam gás encanado no Brasil. Esse repasse não é imediato e deve acontecer à medida que os reajustes anuais das distribuidoras estaduais forem autorizados pelas agências reguladoras.
Já o repasse indireto deve afetar todos os consumidores de bens industriais e de energia elétrica. Existe uma vasta produção industrial que utiliza o gás natural como recurso energético. Setores que são muito dependentes do gás acabam absorvendo esse aumento em seus custos de produção e repassando isso aos produtos.
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