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Polícia
Fonte: Extra de Rondônia, Folha de Vilhena, G1 RO - Em Polícia - 27/03/2021 07:55:00 hrs

Uma tragédia está prestes a acontecer no município de Chupinguaia. A fazenda Nossa Senhora Aparecida, palco de operação da Polícia Militar na última segunda-feira (22), onde três policiais militares, três funcionários e dois prestadores de serviços foram detidos com armas de fogo e munições sendo apontados como suspeitos de estarem agindo como “jagunços” para defenderem a propriedade, foi invadida por “sem-terras” no final da tarde de terça-feira, 23.
Até o momento, não se tem informações sobre um conflito entre fazendeiros e "sem-terras".
De acordo com informações obtidas pelo Extra de Rondônia, nesta semana a fazenda foi palco de prisão de três policiais militares, suspeitos de fazerem parte de um grupo que fazia segurança armada para o fazendeiro.
A informação ainda dá conta que cerca de 40 policiais participaram da ação ordenada pelo Ministério Público (MP), que, além dos militares, prenderam três funcionários da fazenda e duas pessoas que prestam serviços ao fazendeiro, além armas e munições.
Contudo, após o cumprimento da ordem judicial, os policiais saíram do município e com isso, o grupo dos sem-terra aproveitaram a situação e invadiram a propriedade tocando o terror, expulsaram o caseiro e colocaram fogo em três casas da sede do retiro, como mostram as imagens ao final da matéria.
Após a ação policial, um amigo do fazendeiro comentou sobre a invação dos "sem-terras": “é um absurdo tudo isso. Para fazer uma reintegração de posse, garantirem o direito de propriedade e a segurança de trabalhadores honestos e de pessoas de bem, a justiça não pode ir devido a 'pandemia'. Mas para prenderem três policiais, mandaram um efetivo para Chupinguaia, nesse caso puderam correr riscos de serem infectados pela Covid-19. Sinceramente, é a banana comendo o macaco. Isto está errado. Temos que nos unir, mostrarmos a força do agronegócio. Produzimos alimentos e temos que ser respeitados”, disse indignado.
Ainda conforme informações, uma juíza cancelou a reintegração de posse após o acontecido. A desculpa do Estado para a não reintegração até o ocorrido, era que "estávamos em uma situação de pandemia e que não podiam colocar os policiais em risco".
Imagens da fazenda destruída:






Na terça-feira (23), um grupo de sem-terras aproveitou da situação, onde policiais e funcionários da fazenda foram presos, e acabou invadindo a propriedade causando destruição.
Após a prisão de três PMs e o gerente da fazenda, que foram acusados de estarem fazendo a segurança armada do local, membros da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), invadiram a propriedade e incendiaram o curral da fazenda, avaliado em aproximadamente R$ 300 mil reais, e o retiro dos funcionários que precisaram sair às pressas.
Um funcionário da fazenda publicou vários áudios em grupos de redes sociais relatando que o grupo de sem-terra havia invadido a propriedade, colocaram fogo no curral e caminhava para sede do retiro portando armas de fogo.
Nos áudios, o funcionário afirma que o grupo está há aproximadamente um quilometro para ter acesso à sede e diz que não vai dar tempo nem de tirar suas coisas.
Confira os áudios
Uma grande manifestação tomou conta da cidade de Chupinguaia na sexta-feira (26). Fazendeiros, comerciantes, pecuaristas e agricultores da cidade e região se uniram afim de protestar contra a invasão da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, confusão que se alastra desde o dia 23.
Na sexta, moradores da região se manifestaram contra a invasão da fazenda e a prisão do gerente, que trabalha na propriedade há 20 anos. A manifestação começou pelas ruas de Chupinguaia e depois os manifestantes se dirigiram até a Fazenda Nossa Senhora Aparecida.
Apesar de toda a destruição e prejuízo já causados pelos membros da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), os manifestantes temem que eles consigam chegar até a sede da fazenda, que pode ser invadida a qualquer momento.
Em vídeo, o Secretário Especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Luiz Antônio Nabhan Garcia, se pronunciou sobre a situação no município de Chupinguaia. No vídeo, ele afirmou que a invasão da propriedade é crime e que cabe ao Poder Judiciário e ao Governo do Estado tomar as providências cabíveis.
O conflito ainda está longe de acabar. De acordo com informações, caso haja invasão por parte dos grileiros, o conflito tende a partir para violência e mortes poderão acontecer.
Em 09 de agostosto de 1995, a Fazenda Santa Eliana foi alvo de uma invasão de sem-terras em um conflito que ficou internacionalmente conhecido como Massacre de Corumbiara, município que fica próximo a Chupinguaia, alvo das atuais invasões.
Na época, o conflito envolvendo policiais militares e um grupo de sem-terra resultou na morte de 12 pessoas.
A fazenda, com aproximadamente 18 mil hectares, foi ocupada no dia 15 de julho de 1995. Dois dias depois, o proprietário da Santa Elina fez o pedido de reintegração de posse, acatado pela Justiça. Com um contingente formado por policiais militares da região, uma primeira tentativa de cumprimento do mandado judicial não teve resultado. Na ocasião, um posseiro chegou a ser ferido pela polícia.
Com a situação de risco, o governo do estado enviou uma equipe de técnicos para negociar a saída do local.
Após determinação da Justiça para que a PM destinasse maior contingente para cumprimento do mandado judicial, 194 policiais militares, de vários municípios de estado, foram escalados para a operação de reintegração de posse na Fazenda Santa Elina.
Durante a madrugada do dia 9 de agosto, a propriedade foi invadida por policiais. As investigações apontaram que pistoleiros contratados por fazendeiros também participaram da operação. O assentamento contava com cerca de 2.300 pessoas. No embate, 12 pessoas morreram, 64 pessoas dicaram feridas e 355 pessoas foram detidas por resistência.
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