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Saúde em Rolim de Moura pode entrar em colapso devido ao grande número de casos positivos de covid e falta de servidores

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Fonte: Da redação TribunaTOP - Em Saúde - 12/03/2021 09:00:00 hrs

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Saúde em Rolim de Moura pode entrar em colapso devido ao grande número de casos positivos de covid e falta de servidores
Arquivo/TribunaTOP

Há um ano, o Brasil começava a sentir os primeiros efeitos da pandemia do chamado ‘novo coronavírus’, descoberto na China no final de 2019, sendo batizado, então, de ‘covid-19’.

Desde então, ouvimos que a covid se tratava de uma gripezinha, que não precisava de medidas enérgicas, que máscaras estavam contaminadas, que elas não protegiam, e mandaram até enfiar a máscara no rabo. Ouvimos também que a vacina não era eficiente, que quem tomasse poderia virar jacaré, acordos para aquisição não foram feitos na época certa, e hoje, enfrentamos problemas para adquirir mais vacinas.

Em Rolim de Moura, o primeiro caso foi registrado em abril de 2020. Em 13 de julho, o município registrou 63 novos casos em um dia. Até então, o maior registro de novos casos desde o começo da pandemia. Em janeiro de 2021, devido ao período festivo, o registro de novos casos chegou a bater a casa dos 83 casos positivos registrado em um dia (06 de janeiro).

Agora, um ano depois, os casos ativos no município atingiram recordes nunca antes registrados. No dia 08 de março, o município registrou 109 novos casos de covid em um dia. Três dias depois, 107 novos casos foram registrados apenas na quinta (11).

O município registrou, também na quinta, o maior número de casos ativos desde o ano passado: são 562 pessoas em tratamento, 22 estão internados em unidades hospitalares, o maior número de internados já registrados.

O estado de Rondônia não está tendo leitos de UTI disponíveis. 141 pessoas estão aguardando uma vaga, segundo levantamento da Central de Reguação de Urgência e Emergência (Crue-RO). Também na quinta-feira, uma jovem de Seringueiras, de 21 anos, grávida de 06 meses, conseguiu uma vaga de UTI em Porto Velho, mas não resistiu e veio a óbito próximo a Ouro Preto devido a complicações da covid-19.

Em Rolim de Moura, o hospital municipal já está operando no limite de leitos clínicos e de pessoal. Ontem, mais uma pessoa foi encaminhada do hospital municipal, entubado e em estado grave, para uma UTI em Porto Velho. O portal TribunaTOP conversou rapidamente com uma das servidoras. “Nós estamos encaminhando mais um paciente em estado grave, entubado, para Porto Velho. Ele, inicialmente, iria para uma UTI em Manaus na terça. Mas, no caminho, teve uma parada e precisou voltar ao hospital para ser estabilizado, onde ficou aguardando uma vaga de UTI, e ela saiu agora. Estamos todos neste limite. Não temos leitos de UTI. Pedimos ao estado e às vezes ele não consegue providenciar um leito, então, precisamos recorrer aos estados vizinhos, e torcer para que eles consigam nos atender”, disse a servidora. Segundo ela, o hospital está quase lotado de pessoas internadas com covid. “E se continuar assim, pode não ter mais vagas em leitos clínicos para atender a população”, disse.

A situação desesperadora levou o diretor da unidade a pedir, em grupos privados de servidores da saúde, para que técnicos de enfermagem e enfermeiros que já atuam nos postos de saúde que fossem fazer plantão no hospital para poder dar suporte, devido a falta de servidores. No áudio, que acabou vasando e foi amplamente compartilhado em diversos grupos pelo whatsapp, Ronildes Gonçalves, diretor da unidade, diz que o hospital está operando em seu limite, com 22 pacientes em observação que estão com covid.

O número de mortes por complicações da doença também é preocupante. Ao longo de 2020, 29 pessoas perderam a vida em decorrência das complicações causadas pela covid-19. Em 2021, apenas nesses três meses primeiros meses do ano, 43 pessoas morreram por causa da doença. Ao todo, 73 famílias perderam pessoas queridas, amigos, companheiros, filhos.

As novas cepas da covid descobertas em Rondônia estão sendo transmitidas mais rapidamente se comparado ao ano passado, e como consequência, a evolução do paciente a um quadro mais grave também está sendo mais rápida. A enfermeira Janaína Travassos, responsável pelo setor de epidemiologia do município e presidente do comitê de enfrentamento ao covid-19, explicou de que forma a covid ataca o organismo e suas consequências que podem evoluir ao óbito.

“A covid afeta órgãos nobres, como coração, pulmão e rins. Muitas pessoas que estão na UTI, precisam fazer hemodiálise, eles podem desenvolver problemas graves nesses órgãos. E muitas vezes, o paciente apresenta melhora, recebe alta, são monitorados em casa, e ainda assim, podem apresentar uma piora repentina e vir a óbito. Infelizmente, depois que o paciente recebe alta da covid, ela tem que tratar por um bom tempo as sequelas que o vírus causa. Por exemplo, a recuperação do pulmão, órgão mais afetado pela doença, pode demorar meses. Por isso a gente precisa se cuidar. Quem puder, fique em casa, se cuidem, usem máscara, álcool em gel, não se aglomerem. É um apelo que nós fazemos porque a situação não está boa, os casos não param de chegar, estão aumentando e isso é uma gravidade”, disse ela.

O secretário de saúde, Roberto Fujji, que ficou afastado da pasta por alguns meses se recuperando das complicações da covid-19, disse, em entrevista à SicTV Rolim de Moura, das realidades da doença e da situação do município.

“Essa doença está dentro de casa. Os filhos estão levando para os pais, os parentes estão disseminando o vírus entre seus familiares. Quando a gente pede pra ter o afastamento social, não estamos brincando. É pra fazer o distanciamento e tomar os devidos cuidados. Hoje nós temos um número muito grande de internado no nosso hospital e não temos capacidade pra isso”, disse Fujji.

Devido as complicações, Roberto Fujji apresentou muita fadiga enquanto falava. EM seu relato emocionante, ele diz que enquanto esteve em Campo Grande, presenciou um paciente de 36 anos, com uma filha de 2 anos, mulher grávida de 2 meses, e teve morte cerebral por conta da doença.

“Isso entristece a gente, porque a gente se coloca no lugar. Eu tive a sorte de nem ser entubado e agradeço muito a Deus. Eu quero agradecer às correntes de orações feitas por todos em meu nome”, disse emocionado.

Fujji também disse que o município não profissionais suficientes para atender a todos, devido ao fato de muitos estarem afastados porque se contaminaram. “Hoje nós temos uma quantidade de profissionais acometidos pela doença, estressados pelo trabalho, estamos com falta de médico, de técnicos e de enfermeiros e não está fácil, nós temos a nossa dificuldade. A gente precisa tomar muito cuidado”, finalizou.

É fácil dizer que a situação toda já ficou exaustivo. Muito se fala em isolamento, distanciamento, mortes. Por outro lado, esses que falam que não precisa de nada disso, são os que estão enchendo o hospital. Por culpa de alguns ignorantes, toda a população está sofrendo. Não adianta estado e município virem com regras rigorosas e a população em si não faz a sua parte e insiste em fazer festas clandestinas e aglomerações sem o mínimo de proteção levando o vírus para dentro de casa.

O próprio governador de Rondônia já enfatizou o pedido diversas vezes: quando se fala em isolamento e distanciamento, não é que está proibido sair de casa. Você pode sair, ir trabalhar, abrir seu comércio, mas desde que obedeça as novas regras de higienização, use máscara, disponha álcool gel. O que não é para gerar é aglomerações, pois com esse erro, o próprio comércio paga as consequências com as medidas enérgicas tomadas pelo estado. E depois, não adianta reclamar!

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