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Fonte: UOL, CNN Brasil - Em Economia - 01/02/2021 08:34:00 hrs

Caminhoneiros de todo o país prometem iniciar hoje, 1º de fevereiro, uma greve por tempo indeterminado. A adesão à paralisação, porém, não é consenso entre todas as categorias, e a extensão do movimento ainda é incerta.
Às 7h de hoje, o Ministério da Infraestrutura e a PRF (Polícia Rodoviária Federal) divulgaram boletim informando que todas as rodovias federais do país tinham fluxo livre, sem pontos de retenção.
No mesmo horário, caminhoneiros faziam uma manifestação que interditou duas faixas da Rodovia Castello Branco, na altura de Barueri (SP), no sentido Capital, mas com pauta diferente daquela apresentada pelas entidades que convocaram a greve.
Planejada para esta segunda-feira, de acordo com duas associações de trabalhadores, a greve geral dos caminhoneiros pode ser ainda mais grave e complexa do que a paralisação de maio de 2018. No contexto da pandemia, o movimento pode afetar a distribuição de vacinas, interromper a logística de cargas de exportação e prejudicar ainda mais a renda de milhares de famílias, que já não podem contar com o auxílio emergencial, de acordo com especialistas consultados pelo CNN Brasil Business.
Do outro lado da mesa, o governo permanece cético em relação à greve. Representantes do Ministério da Infraestrutura conferem a iniciativa a "associações isoladas" e dizem que as entidades que aderiram publicamente à paralização até agora têm baixa representatividade entre a categoria.
"A Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil (ANTB) não é entidade de classe representativa para falar em nome do setor do transporte rodoviário de cargas autônomo e que qualquer declaração feita em relação à categoria corresponde apenas à posição isolada de seus dirigentes", disse a pasta à CNN.
As principais entidades à frente da convocação são a CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística), a ANTB (Associação Nacional de Transporte no Brasil), e o CNTRC (Conselho Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas).
Outras entidades são contra a manifestação, inclusive algumas que participaram da greve de 2018, como a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos) e a Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Autônomos).
O tamanho do apoio à greve, porém, ainda é incerto. A categoria é muito pulverizada, com diversas lideranças e entidades representantes. Algumas delas são publicamente contrárias à paralisação.
O que querem os caminhoneiros?
Os caminhoneiros reclamam da alta do preço de combustíveis e são contra a política da Petrobras, baseada na paridade com os preços internacionais.
Outros pontos questionados são os baixos preços dos fretes e o descumprimento da lei que prevê o piso mínimo de fretes, medida cuja constitucionalidade está para ser analisada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Também pedem mudanças na BR do Mar, o marco regulatório do transporte marítimo, que incentiva a navegação por cabotagem, ou seja, entre os portos do país, além de melhores condições de trabalho, incluindo alterações nas regras de jornada e aposentadoria especial.
Bolsonaro pediu que caminhoneiros não parem
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez um apelo no sábado (30) para que os caminhoneiros não entrem em greve.
"Fiz apelo aos caminhoneiros. Sabemos dos problemas deles. Se tivesse condições, zeraria PIS/Cofins óleo diesel, que está em R$ 0,33, mas vamos tentar zerar pelo menos, mas não é fácil", disse o presidente.
Ele também afirmou que conversou com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, mas que não interfere na política de preços da estatal. Na última quinta-feira (28), o presidente da estatal afirmou que a ameaça de paralisação não é problema da Petrobras.
Por enquanto, o governo adota um tom cético em relação à greve. Um assessor especial do ministro Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) disse que a pasta acompanha a categoria de perto desde 2019, após o susto da greve do ano anterior, e que, por enquanto, não há motivo para preocupações.
A fonte do ministério disse que ainda, que desde janeiro de 2019, houve 13 tentativas de paralisação. E que, portanto, não se pode levar em consideração novas ameaças. "Não dá pra ficar sempre caindo na lábia desses caras", disse.
Ainda assim, o presidente Jair Bolsonaro autorizou reduzir o PIS/Cofins sobre o diesel e fez um apelo à categoria, para que não aderisse à paralisação. "Reconhecemos o valor dos caminhoneiros para a economia, apelamos para eles que não façam greve, que todos nós vamos perder", pediu o presidente.
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