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Fonte: G1 - Em Política - 14/10/2020 04:49:00 hrs

Pelo menos 3.737 candidatos registraram doações para a própria campanha em valor superior ao patrimônio declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Quase todos esses candidatos (97%) declaram não ter qualquer patrimônio apesar de terem colocado dinheiro na própria campanha.
O levantamento feito pelo G1 mostra ainda que as diferenças entre autodoação e patrimônio chegam a R$ 45 mil.
Especialistas lembram que as doações não são consideradas ilegais, mas levantam indícios de irregularidades nas declarações de patrimônio dos candidatos.
A professora da PUC Minas Virtual e assessora jurídica no TSE Lara Ferreira lembra ainda que a resolução 23.609 de 2019 do TSE exige dos candidatos uma “relação atual de bens” – ou seja, a relação de bens existentes no momento do registro de candidaturas.
O cientista político Bruno Schaefer, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirma ainda que o patrimônio desses candidatos pode estar no nome da esposa ou do marido. Outra hipótese é que o candidato não tenha declarado todos os bens ou pode ter declarado o bem com valor abaixo da realidade.
Mais recursos do que patrimônio
O candidato a vereador André Fraga (PV), que disputa as eleições em Salvador, doou R$ 45 mil do próprio bolso para a campanha. Ao mesmo tempo, Fraga declarou não ter qualquer patrimônio. Em nota, Fraga diz que o dinheiro é resultado de economias e do planejamento para ser candidato nestas eleições.
O candidato Luís Sobral (PSD), que tenta uma vaga de vereador em São Paulo, declarou um patrimônio de R$ 6,7 mil. Porém, ele injetou R$ 30 mil do próprio bolso na campanha. A diferença entre os valores é de R$ 23,3 mil.
A nota enviada por Sobral diz: “A doação feita à campanha provém da minha renda, fruto da minha atividade regular como empresário e consultor”. O candidato afirma ainda que o patrimônio declarado ao TSE é o de 31 de dezembro de 2019.
Já a candidata Rhalessa de Clênio (PTB) disputa a reeleição para a Câmara Municipal de Parnamirim (RN) e informou ter colocado R$ 21 mil na própria campanha. Ao TSE, porém, ela declarou não ter qualquer patrimônio. Em nota, a advogada de Rhalessa afirma que “a candidata não possui bens, sendo esta a mais pura e límpida verdade”. O texto diz ainda que o valor da doação é compatível com os rendimentos da vereadora. “Por fim, vale ressaltar que a doação é lícita e totalmente regulamentada pelas normas eleitorais.”
O candidato a prefeito André Gomes (PDT), que busca renovar o mandato em Boa Vista (PB), injetou R$ 21 mil em recursos próprios na campanha. Ele declarou não ter qualquer patrimônio. Em nota, Gomes diz que o dinheiro vem de duas fontes: o salário de prefeito e também um empréstimo de R$ 27,5 mil feito junto à Caixa Econômica.
O candidato Júlio Pimenta (MDB), que tenta a reeleição à Prefeitura de Ouro Preto (MG), doou R$ 50 mil do próprio bolso para a campanha. Segundo o TSE, ele declarou não ter patrimônio. Em nota, a assessoria de Pimenta afirma que já pediu a correção dos dados para a Justiça Eleitoral e que aguarda a atualização do patrimônio do candidato. Segundo um arquivo enviado pela assessoria, Pimenta tem um patrimônio de R$ 1,2 milhão.
O candidato Demilson Nogueira (PP), que concorre a vereador em Cuiabá, doou R$ 50 mil para a própria campanha. Segundo o TSE, o patrimônio declarado de Nogueira é de R$ 10,3 mil. Em nota, a assessoria do candidato diz que já pediu a correção dos dados ao TSE em 26 de setembro e afirma que houve um “erro de digitação no momento da inserção de dados do candidato no sistema Candex”. “O pedido de retificação foi feito à Justiça Eleitoral, mas ainda não foi alterado.”
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