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Saúde
Fonte: Folha do Sul - Em Saúde - 04/06/2020 04:47:00 hrs

Ao tomar conhecimento que outros municípios de Rondônia devem enviar pacientes contaminados pela Covid-19 para Vilhena, o vereador Rafael Maziero (PSDB) gravou um vídeo no qual promete lutar contra essas transferências.
O alerta foi dado por dois líderes religiosos, um padre e um pastor que, ao se dirigirem aos fieis de suas denominações, fizeram apelos para que eles adotem medidas que ajudem a frear o avanço da doença na cidade. Foi informado por ambos que existem dois pacientes entubados e em estado grave no Hospital Regional.
Ao criticar a vinda dos doentes “de fora”, Maziero disse hoje Vilhena tem “um dos melhores cenários de combate à Covid-19, um dos melhores da saúde no Estado de Rondônia”. Na sequência, ele destacou que outros municípios do Estado estão em colapso.
O parlamentar tucano destacou três fatores que, segundo ele, são determinantes para que Vilhena tenha registrado menos de 60 casos da doença e nenhuma morte: medidas adotadas pelo prefeito Eduardo Japonês (PV) e o comitê de enfrentamento à pandemia; colaboração da população e apoio dos empresários, que investiram na Saúde local.
O vereador argumenta que a transferência de doentes para Vilhena é injusta porque, enquanto as cidades de origens desses pacientes deixaram de se preparar para o aumento da demanda durante a pandemia, aqui as medidas foram adotadas e a estrutura foi montada com verbas do município e recursos de emendas parlamentares, conquistadas pela Câmara e a prefeitura.
Pacientes “de fora” podem colapsar Saúde de Vilhena, diz vereador
Na mensagem, ele defende que a vinda de pacientes contaminados pela Covid-19 de outros municípios para Vilhena prejudica a cidade. Maziero disse que respeita a vida de todos, mas argumentou que o atendimento a pessoas que pagam impostos em outras cidades sobrecarrega as finanças e o sistema de Saúde locais. “O que não podemos é deixar o recurso dos vilhenenses pagar a saúde dos moradores de outras cidades”, disse ele.
O parlamentar disse ainda que, após a chegada da verba federal de R$ 14 milhões (dividida em quatro parcelas de R 3,5 milhões) exclusiva para financiar ações de saúde durante a pandemia, aí os pacientes “de fora” poderão ser recebidos. Mas, esse dinheiro prometido ainda não foi repassado. O Congresso Nacional aprovou e o presidente Jair Bolsonaro já sancionou a medida, faltando apenas a transferência das parcelas.
O vereador também argumenta que, neste momento, caso as transferências de doentes comecem, a cidade enfrentará duas crises: uma de Saúde e a outra econômica.
“Se começarem a chegar agora esses doentes, o nosso sistema entra em colapso e não haverá outra saída senão o fechamento das empresas. Quem me conhece sabe que sou solidário a quem precisa, seja a pessoa de onde for, principalmente em questões envolvendo saúde, mas dei uma explicação racional, porque se começarmos a atender moradores que não são daqui, em breve não teremos recursos para tratar dos nossos próprios cidadãos, que também poderão morrer por falta de vagas no único hospital que poderia recebê-los”, finalizou.
“Não se nega saúde a ninguém”
O vereador Samir Ali (Podemos), contestou o colega Rafael Maziero (PSDB). “Não se nega saúde a ninguém, sob qualquer pretexto”, disparou o ex-tucano, ao falar do companheiro de Parlamento, esclarecendo que, caso haja necessidade de receber doentes das demais cidades de Rondônia, “a discussão deve ser outra”.
Para Samir, o direito à vida não está previsto apenas na Constituição. “Qualquer ser humano com um mínimo de respeito pelo semelhante não nega atendimento a quem deseja sobreviver. Precisamos partir desse ponto”, argumentou.
O vereador argumenta, como exemplo, que Vilhena envia pacientes para tratamento a outras cidades, e que, portanto, a comunidade local precisa ser solidária com os que vêm para cá em busca de atendimento na rede pública.
“O que precisamos é tomar todos os cuidados para que, caso essas transferências sejam necessárias, ninguém de Vilhena seja contaminado. Junto com isso, a briga deve ser para que consigamos aumentar o número de leitos para receber os que vêm de fora, sem deixar nosso povo sem vagas. E isso é possível”, argumentou, reafirmando que respeita, mas discorda da posição de Maziero em relação ao assunto.
Ali disse que pretende contato com lideranças políticas de diferentes partidos, em Rondônia, a fim de “estancar o problema” na origem. “Nossos deputados e senadores, junto o governador, devem adotar medidas enérgicas e cobrar com firmeza, recursos para investir nas cidades que não dispõem de estrutura e precisam transferir seus pacientes”, encerrou.
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