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OMS suspende testes com hidroxicloroquina contra a Covid-19

Organização coordena ensaio com pesquisadores de 100 países, inclusive brasileiros. Suspensão ocorre depois que estudo com 96 mil pacientes não viu efeito contra coronavírus e apontou maior risco de morte.

Fonte: G1 - Em Saúde - 25/05/2020 07:14:00 hrs

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OMS suspende testes com hidroxicloroquina contra a Covid-19
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A Organização Mundial de Saúde (OMS) suspendeu nesta segunda-feira (25) o uso da hidroxicloroquina em pesquisas que ela coordenava com cientistas de 100 países.

A suspensão temporária foi tomada até que a segurança da droga seja reavaliada, já que estudos recentes mostraram que ela não é eficaz contra a Covid-19 e pode aumentar a taxa de mortalidade.

A OMS diz que estão mantidos os demais testes dentro da iniciativa internacional batizada de "Solidariedade". Além do medicamento agora vetado, os pesquisadores ainda avaliam em pacientes o resultados de três tipos de antivirais e de um remédio usado para tratar esclerose múltipla.

De acordo com a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, a cloroquina não é usada nos testes da iniciativa Solidariedade. Tanto a cloroquina quanto a hidroxicloroquina usam o mesmo princípio ativo, mas a cloroquina é considerada potencialmente mais tóxica. A hidroxicloroquina, composta por uma versão "atenuada" da substância, é considerada mais segura e é usada em tratamentos de longo prazo.

A OMS já havia anunciado que era contra o uso amplo da cloroquina para tratar a Covid-19. Quando o Brasil passou a orientar que pacientes com quadros leves pudessem usar o medicamento, os diretores da entidade ressaltaram que a droga só deveria ser usada dentro de "ensaios clínicos", que são os testes dentro de pesquisas médicas.

Cloroquina e hidroxicloroquina no Brasil
 
Mesmo sem evidências científicas que comprovem a eficácia dos medicamentos contra a Covid-19, o Ministério da Saúde divulgou, na semana passada, um documento com orientações para uso da cloroquina.

A droga foi motivo de discórdia entre dois ex-ministros da Saúde e o presidente Jair Bolsonaro. Tanto Luiz Henrique Mandetta quanto Nelson Teich, ambos médicos, alertaram para os efeitos colaterais dos remédios, mas, mesmo assim, Bolsonaro defendeu o uso deles contra a Covid-19.

Mandetta foi demitido; Teich pediu demissão menos de um mês após assumir o cargo. Além da questão da cloroquina, os dois ex-ministros divergiram do presidente quanto ao isolamento social.

Logo após a divulgação do documento pelo governo brasileiro, que recomendava o uso dos remédios contra a Covid-19, especialistas brasileiros emitiram notas contra a decisão.

A própria OMS e a Opas, braço da organização nas Américas, também reafirmaram que não recomendam nem a cloroquina nem a hidroxicloroquina para tratar a Covid-19 fora de ensaios clínicos.

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