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Saúde
Fonte: G1 - Em Saúde - 20/05/2020 08:10:00 hrs

O presidente Jair Bolsonaro informou nesta terça-feira (19) que o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, irá assinar nesta quarta (20) um novo protocolo sobre o uso da hidroxicloroquina no enfrentamento do novo coronavírus.
Segundo Bolsonaro, o protocolo vai prever que o remédio passará a ser indicado desde o aparecimento dos primeiros sintomas. O presidente deu as informações ao conceder uma entrevista, transmitida em uma rede social.
"Em primeira mão para você, Magno [jornalista que o entrevistou], amanhã o ministro da Saúde vai assinar o novo protocolo da cloroquina. O último protocolo é de 31 de março, permitia a cloroquina apenas em casos graves. E, agora, o protocolo é a partir dos primeiros sintomas", disse o presidente.
Piada com uso da cloroquina
Na mesma entrevista, e no mesmo dia em que o Brasil registrou 1.179 novas mortes em 24h relacionadas ao coronavírus, Bolsonaro fez uma piada com o uso do medicamento:
"Pode ser que lá na frente digam que a cloroquina foi um placebo, não serviu pra nada. Mas pode ser que daqui há dois anos realmente curava. E o Romero [prefeito de Campina Grande/PB] e eu não vamos ter na consciência, que nós evitamos, muitos morreram e poderiam ser salvos. Quem for de direita toma cloroquina, quem for de esquera toma tubaína. Tá vendo como sou educado?", disse o presidente.
A aplicação da hidroxicloroquina em pacientes infectados com o novo coronavírus é tema de vários estudos ao redor do mundo. No entanto, até o momento, pesquisadores não conseguiram encontrar resultados conclusivos sobre a eficácia do remédio.
A recomendação do medicamento no Brasil gerou divergências públicas entre o presidente e os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. Divergência que gerou a demissão dos dois ministros.
Conselho de Medicina
Em nota, o conselho de Medicina disse que liberau os médicos a receitarem o medicamento em três casos específicos:
1. Quando o paciente está em estado crítico, internado em terapia intensiva, com lesão pulmonar estabelecida. A hidroxicloroquina pode ser usada pelos médicos "por compaixão". Isso ocorre quando o paciente já está fora de possibilidade terapêutica e o médico, com autorização da família, utiliza a substância;
2. Quando o paciente, com sintomas da covid-19, chega ao hospital. Existe um momento de replicação viral em que a droga pode ser usada pelo médico com autorização do paciente e familiares;
3. Quando o paciente tem sintomas leves, parecidos com o da gripe comum. Nesse caso, o médico pode usar a hidroxicloroquina, descartando a possibilidade de que o paciente tenha: influenza A ou B, dengue, ou H1N1. Também nesse caso, a decisão deve ser compartilhada com o paciente.
"O Conselho Federal de Medicina não recomenda o uso da hidroxicloroquina. O que estamos fazendo é dando ao médico brasileiro o direito de, junto com seu paciente, em decisão compartilhada com seu paciente, utilizar essa droga. Uma autorização. Não é recomendação", disse na ocasião o presidente do CFM, Mauro Luiz de Britto Ribeiro.
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