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AGU divulga trecho da fala de Bolsonaro em reunião ministerial citada por Moro como prova de interferência na PF

Para AGU, Bolsonaro se referia à segurança pessoal dele e de familiares durante a reunião, sem relação com a atuação da PF

Fonte: Folha de S. Paulo, G1 - Em Política - 14/05/2020 07:59:00 hrs

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AGU divulga trecho da fala de Bolsonaro em reunião ministerial citada por Moro como prova de interferência na PF
Reprodução

A Advocacia-Geral da União divulgou trechos da fala de Bolsonaro do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, citado por Sergio Moro como prova da intervenção do presidente na Polícia Federal. A AGU transcreveu a íntegra do vídeo e se manifestou ao STF à favor da divulgação apenas das falas de Bolsonaro. 

A reunião foi citada em depoimento pelo ex-ministro Sergio Moro, no contexto do inquérito que investiga a suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. Na reunião, o presidente teria exigido a troca do superintendente da PF no Rio de Janeiro, a fim de evitar investigação sobre familiares dele.

O vídeo está sob sigilo desde que chegou ao STF, na sexta-feira (8) e já foi exibido em uma única sessão, reservada a investigadores e procuradores da República, além do proprio Sergio Moro e da Advocacia-Geral da União. Fontes que acompanharam a exibição informaram que a gravação mostra Bolsonaro usando palavrões e fazendo ameaças de demissão em defesa da troca no comando da PF no Rio de Janeiro.

No documento, a AGU cita que o encontro teve dez participantes: os ministros da Justiça, da Saúde, da Infraestrutura, das Relações Exteriores, da Mulher, Família e Direitos Humanos, do Turismo e da Educação; e os presidentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Caixa Econômica e do Banco Central.

O documento mostra ainda que Bolsonaro afirmou que não iria que não iria esperar "f." alguém de sua família ou amigo dele para trocar "segurança" no Rio.

Logo no inicio do documento, a AGU deixa claro que as falas do presidente não estão no mesmo contexto, são separadas pela sequência da reunião.

"Em verdade, de pronto, o seguinte esclarecimento preliminar é essencial: as declarações presidenciais com alguma pertinência NÃO estão no mesmo contexto, muitíssimo pelo contrário: estão elas temporal e radicalmente afastadas na própria sequência cronológica da reunião".

Trechos divulgados pela AGU

Ao contrário do que declarou nos últimos dias, Bolsonaro mencionou o nome da Polícia Federal na reunião. Conforme a transcrição da AGU, ele classificou como uma “vergonha” não ter acesso a informações de órgãos de inteligência e avisou: “Por isso, vou interferir. Ponto final”.

"Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar f. minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança da ponta de linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira", disse.

O argumento da AGU é que Bolsonaro se referia à segurança pessoal dele e de familiares durante a reunião, sem relação com a atuação da PF. Segundo a transcrição, porém, o presidente diz que não pode ser “surpreendido com notícias” e se queixa de órgãos vinculados à segurança.

Pô, eu tenho a PF que não me dá informações; eu tenho a inteligência das Forças Armadas que não tem informações; a ABIN tem os seus problemas, tem algumas informações, só não tem mais porque tá faltando realmente… temos problemas… aparelhamento etc. A gente não pode viver sem informação”, disse.

Após se queixar de não estar recebendo informações da PF e de outros órgãos de segurança, Bolsonaro afirma: "E me desculpe o serviço de informação nosso —todos— é uma vergonha, uma vergonha, que eu não sou informado, e não dá para trabalhar assim, fica difícil. Por isso, vou interferir. Ponto final".

Veja a declaração do presidente na reunião, segundo a AGU:

Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações; eu tenho a inteligência das Forças Armadas que não têm informações; a ABIN tem os seus problemas, tem algumas informações, só não tem mais porque tá faltando realmente… temos problemas… aparelhamento etc. A gente não pode viver sem informação. Quem é que nunca ficou atrás da… da… da… porta ouvindo o que seu filho ou sua filha tá comentando? Tem que ver para depois… depois que ela engravida não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes. Depois que o moleque encheu os cornos de droga, não adianta mais falar com ele: já era. E informação é assim. [referência a Nações amigas] Então essa é a preocupação que temos que ter: “a questão estratégia”. E não estamos tendo. E me desculpe o serviço de informação nosso —todos— é uma vergonha, uma vergonha, que eu não sou informado, e não dá para trabalhar assim, fica difícil. Por isso, vou interferir. Ponto final. Não é ameaça, não é extrapolação da minha parte. É uma verdade

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