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Moro diz que apresentará provas de tentativas de interferência de Bolsonaro na PF

Ex-ministro da Justiça também afirmou que procurador-geral da República tentou intimidá-lo ao colocá-lo como investigado em inquérito sobre acusações feitas contra o presidente.

Fonte: G1 - Em Política - 01/05/2020 08:35:00 hrs

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Moro diz que apresentará provas de tentativas de interferência de Bolsonaro na PF
Reprodução/Revista Veja

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro disse em entrevista à revista "Veja" que vai apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF) provas de que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal. Moro também disse que o procurador-geral da República, Augusto Aras, tentou intimidá-lo ao colocá-lo como investigado no inquérito que investiga as acusações feitas pelo ex-ministro contra o presidente.

Moro pediu demissão do governo na semana passada. O estopim para a saída do ex-ministro foi a demissão, assinada por Bolsonaro, do ex-diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, homem de confiança de Moro. O ex-ministro afirmou que Bolsonaro tenta interferir politicamente na PF.

O inquérito aberto para investigar as denúncias de Moro tem relatoria do ministro Celso de Mello, no Supremo Tribunal Federal. O depoimento do ex-ministro é esperado para os próximos dias.

Na entrevista à Veja, Moro disse que deixou 22 anos de magistratura para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, por considerar que teria apoio do governo no combate à corrupção. Apoio que, segundo Moro, ficou na promessa.

Sinais de que o combate à corrupção não é prioridade do governo foram surgindo no decorrer da gestão. Começou com a transferência do Coaf para o Ministério da Economia. O governo não se movimentou para impedir a mudança. Depois, veio o projeto anticrime. (...) Recordo que praticamente implorei ao presidente que vetasse a figura do juiz de garantias, mas não fui atendido. É bom ressaltar que o Executivo nunca negociou cargos em troca de apoio, porém mais recentemente observei uma aproximação do governo com alguns políticos com histórico não tão positivo”, disse Moro.

Clique aqui e leia a entrevista de Moro na íntegra à Veja.

Na entrevista, o ex-ministro disse que a decisão do procurador geral da Republica, Augusto Aras, de coloca-lo como investigado, no pedido de inquérito aberto para apurar as acusações contra Bolsonaro, tiveram o objetivo de intimidá-lo.

Entendi que a requisição de abertura desse inquérito que me aponta como possível responsável por calúnia e denunciação caluniosa foi intimidatória”, disse.

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