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Saúde
Fonte: Folha de S. Paulo - Em Saúde - 23/03/2020 09:01:00 hrs

São falsas as informações que circulam nas redes sociais sobre a cura de 100% dos pacientes diagnosticados com o novo coronavírus tratados com os medicamentos hidroxicloroquina e azitromicina associados. Na verdade, ainda não há comprovação da eficácia e da segurança dos remédios no combate à doença.
Segundo as publicações erradas, os medicamentos começaram a ser usados pelo HCor (Hospital do Coração) e pela rede Prevent Senior na semana passada. Uma pessoa afirma em áudio que circula em grupos de WhatsApp de que isso deve mudar os "rumos da doença", o que ainda não é realidade.
Em nota divulgada nesta segunda-feira (23), o HCor afirma que ainda vai iniciar ainda nesta semana pesquisas para avaliar a eficácia e segurança de hidroxicloroquina e azitromicina no tratamento de pacientes com a Covid-2019. O resultado dos testes só ficará disponível em um período de 60 a 90 dias.
Ainda segundo a nota, o trabalho é resultado de uma aliança entre o Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio Libanês e BRICNet (Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva), além do HCor, em parceria com o Ministério da Saúde. Participarão do estudo de 40 a 60 hospitais.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) enquadrou a hidroxicloroquina e cloroquina como medicamentos de controle especial. Em nota, a entidade afirmou que recebeu relatos de que a procura pelos medicamentos aumentou depois que algumas pesquisas indicaram que estes produtos podem ajudar no tratamento da Covid-19. Os estudos, porém, são preliminares e carecem de comprovação científica.
“Apesar de alguns resultados promissores, não há nenhuma conclusão sobre o benefício do medicamento no tratamento do novo coronavirus”, afirmou a Anvisa em nota. A falta dos produtos pode deixar os pacientes com malária, lúpus e artrite reumatoide sem os tratamentos adequados.
Pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mostrou otimismo sobre essa alternativa de tratamento, causou corrida a farmácias de diversos países por pessoas que buscam a cloroquina como forma de prevenção à Covid-19.
No vídeo divulgado pela Prevent Senior, a médica Claudia Lopes ressalta que não há evidência de que os medicamentos funcionem de maneira preventiva. Por isso, ela pede que as pessoas não comprem ou consumam a medicação sem prescrição médica.
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