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Mesmo com restrições da Anvisa, medicamentos para malária começaram a sumir das farmácias

Cloroquina e hidroxicloroquina passam a ser medicamentos de controle especial, vendidos com receita. São remédios que estão sendo testados para o coronavírus.

Fonte: G1 - Em Saúde - 21/03/2020 09:43:00 hrs

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Mesmo com restrições da Anvisa, medicamentos para malária começaram a sumir das farmácias
Reprodução

Pacientes com doenças reumáticas, autoimunes e malária estão sofrendo para encontrar medicamentos fundamentais no tratamento. E isso obrigou a Anvisa a estabelecer regras novas pra venda de alguns deles.

Pesquisadores estão analisando substâncias que aparecem em remédios para outras doenças conhecidas, entre elas a cloroquina e a hidroxicloroquina, que são indicadas para malária e podem causar insuficiência cardíaca, comportamento suicida e até cegueira. Já o sarilumab é para tratar de artrite reumatoide, mas traz o risco de infecções respiratórias e urinárias, além de redução no número de plaquetas no sangue.

Um outro efeito colateral grave é que remédios comprados sem indicação por alguns acabam faltando para quem precisa deles para viver e controlar doenças crônicas. É o caso da Fabiana Daré, que tem uma doença reumática que ataca principalmente os pés e as mãos. Ela não está encontrando o comprimido que toma diariamente para evitar dores e deformidades.

A cloroquina foi testada num grupo muito pequeno em Marselha, na França, em 20 pacientes. Se mostrou eficiente na redução da quantidade de vírus, mas os autores não avaliaram o impacto na letalidade ou na gravidade da doença.

Cientistas de universidades brasileiras como a USP também vão testar as drogas. Para evitar a busca desenfreada de quem não precisa e prejudicar os pacientes crônicos, a Anvisa enquadrou a cloroquina e a hidroxicloroquina como medicamentos de controle especial, cuja venda sem receita branca especial em duas vias é considerada infração grave.

Para manter o controle, a distribuição para quem precisa, o governo de Minas Gerais decidiu recolher os medicamentos.

“Qual o problema de a gente começar a usar aleatoriamente? A gente não sabe se isso vai dar certo. A gente tem que esperar os estudos rigorosos darem essa resposta. Do contrário, a gente só vai colecionar efeitos colaterais. Esse uso aleatório pode causar um dano no final maior do que a própria doença”, defendeu Esper Kallas, infectologista.

Pessoas com doenças autoimune, como o Lúpus, já sentem os efeitos da falta do medicamento nas farmácias e pedem solidariedade:

“Sou portadora de uma doença autoimune, o Lúpus, e hoje de manhã saí a procura de medicamento que uso para tratamento, uso contínuo. Eu não estou encontrando em nenhum lugar. Eu peço que, por favor, você que está estocando medicamento na sua casa sem necessidade tenha consciência que tem muitos pacientes que estão precisando, estão atrás dessa medicação com urgência. Obrigada”, pediu a farmacêutica Michele Estricanholi, entrevistada pelo G1.

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