Rolim de Moura - RO, Terça-Feira, 07 de Abril de 2020

Bolsonaro ofende jornalista com insinuações sexuais e gera revolta na sociedade

Na ocasião, Bolsonaro disse ‘Ela queria dar um furo a qualquer preço contra mim’. O caso se refere ao depoimento Hans River na CPMI das FakeNews, onde o depoente mentiu e ofendeu a jornalista Patrícia Campos Mello, da “Folha de S.Paulo”.

Fonte: Jornal Nacional/G1/Globo - Em Política - 19/02/2020 07:51:00 hrs

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Bolsonaro ofende jornalista com insinuações sexuais e gera revolta na sociedade
Reprodução

Uma declaração do presidente Jair Bolsonaro com insinuações sexuais sobre uma repórter do jornal “Folha de S.Paulo” provocou duras críticas da sociedade e de entidades ligadas ao jornalismo.

A declaração foi feita quando o presidente respondia a uma pergunta sobre um outro assunto. Jair Bolsonaro fez insinuações sexuais para colocar em dúvida a atuação da jornalista Patrícia Campos Mello, da “Folha de S.Paulo”. Em 2018, ela denunciou em reportagens o uso fraudulento de nomes e CPFs para habilitar celulares e enviar ilegalmente mensagens em massa por redes sociais durante a campanha eleitoral para presidente.

“O depoimento do Hans River foi no final de 2018 para o MP, ele diz do assédio da jornalista em cima dele. Ela queria um furo. Ela queria dar um furo (risos do Presidente e simpatizantes) a qualquer preço contra mim. Lá em 2018 ele (Hans River) já dizia que ela (repórter) chegava e ia perguntando: ‘O Bolsonaro pagou para você divulgar pelo WhatsApp informações?’”.

Hans River do Nascimento é ex-funcionário da empresa de marketing digital Yacows, citada pela jornalista como uma das empresas que dispararam ilegalmente as mensagens em nome de políticos. Ele depôs na semana passada na CPMI das Fake News, formada por deputados e senadores, que apura a disseminação de conteúdo falso na internet.

Segundo integrantes da CPMI, ele não prestou os esclarecimentos que deveria sobre o caso e, sem apresentar provas, Hans River afirmou que a repórter da “Folha” havia se insinuado sexualmente para ele na tentativa de conseguir informações.

Na ocasião, a “Folha de S.Paulo” publicou mensagens trocadas entre a jornalista Patrícia Campos Mello e Hans River do Nascimento que desmentiram as afirmações dele feitas à comissão. Por isso, Hans River deve ser convocado novamente para depor à CPMI das Fake News.

A relatora da comissão, deputada Lídice da Mata, do PSB, também fez uma representação contra ele na Procuradoria-Geral da República, em que o acusa de prestar informações falsas. Mentir a uma CPI na condição de testemunha é crime passível de prisão e outras punições.

Sobre as declarações de Bolsonaro, a “Folha de S.Paulo” disse em nota que “o presidente da República agride a repórter Patrícia Campos Mello e todo o jornalismo profissional com sua atitude. Vilipendia também a dignidade, a honra e o decoro que a lei exige do exercício da Presidência”.

Entidades ligadas ao jornalismo reagiram fortemente

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) consideraram lamentáveis as declarações do presidente Jair Bolsonaro. As entidades afirmaram que “as insinuações do presidente buscam desqualificar o livre exercício do jornalismo e confundir a opinião pública”, e que “o presidente se aproveita da presença de uma claque para atacar jornalistas, cujo trabalho é essencial para a sociedade e a preservação da democracia”.

Em nota conjunta, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Observatório de Liberdade de Imprensa da OAB afirmaram que: “Os ataques aos jornalistas empreendidos pelo presidente são incompatíveis com os princípios da democracia, cuja saúde depende da livre circulação de informações e da fiscalização das autoridades pelos cidadãos”.

As entidades disseram também que “as agressões cotidianas aos repórteres são incompatíveis com o equilíbrio esperado de um presidente”.

“Nós vemos como um dos mais graves ataques na série que já vem sendo feita pelo presidente contra veículos, contra profissionais, contra indivíduos e contra a liberdade de imprensa. O que nos parece claro é que não estamos mais na esfera da ofensa, já se trata de um caso de difamação”, disse Daniel Bramatti, conselheiro e ex-presidente da Abraji.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) afirmou que, “mais uma vez, para vergonha dos brasileiros, o presidente Jair Bolsonaro é ofensivo e agride, de forma covarde, a jornalista Patrícia Campos Mello. Este comportamento misógino desmerece o cargo de presidente da República e afronta a Constituição federal”.

A ABI pediu que a Procuradoria-Geral da República adote as medidas cabíveis no caso.

“Conclamamos a PGR, a Comissão de Ética da Presidência para tentar segurar esse presidente porque não é possível que ele desça a esse nível tão grosseiro, tão rasteiro para um presidente da República, que envergonha não só a Presidência como a toda nação brasileira”, disse o presidente da ABI, Paulo Jerônimo de Sousa.

Depois da repercussão negativa, no início da tarde, em nova declaração em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro reagiu com ironia:

“Alguém da ‘Folha de S.Paulo’ aí? Eu agredi sexualmente uma repórter hoje? Parabéns à mídia, hein. Não quero conversa, valeu. Parabéns para a mídia. Eu cometi violência sexual a uma repórter hoje?”.

As declarações do presidente repercutiram no Congresso. Muitos parlamentares criticaram Jair Bolsonaro em plenário. Alguns aliados saíram em defesa do presidente.

O discurso contra o presidente Bolsonaro é o mesmo, mais uma vez a esquerda e a imprensa extremista acusam Bolsonaro de atacar mulheres, nesse caso, a repórter da ‘Folha’”, disse o deputado Otoni de Paula (PSL-RJ)

Vinte mulheres parlamentares divulgaram uma carta no fim do dia de repúdio à declaração de Bolsonaro. A maioria das parlamentares, especialmente da oposição, foi à tribuna para também defender a jornalista.

“Quando alguém fica com raiva de homem, de jornalista, ninguém fala da moral, ninguém fala da sua vida sexual, ninguém fala das suas coisas íntimas. Por que com a mulher todo mundo se vê no direito de poder ofender as questões pessoais de uma mulher?”, perguntou a senadora Kátia Abre (PDT-TO).

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