Rolim de Moura - RO, Terça-Feira, 07 de Abril de 2020

Lava Jato confirma denúncia da PGR contra Raupp e Jucá por corrupção e lavagem de dinheiro na Transpetro

A denúncia detalha suposta corrupção nos contratos da NM Engenharia e Odebrecht Ambiental com a Transpetro para pagamentos ilícitos aos então senadores do MDB entre os anos de 2008 e 2010 e em 2012.

Fonte: Estadão - Em Política - 19/02/2020 07:39:00 hrs

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Lava Jato confirma denúncia da PGR contra Raupp e Jucá por corrupção e lavagem de dinheiro na Transpetro
Reprodução

A força-tarefa da Lava Jato no Paraná ratificou a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra os ex-senadores Romero Jucá e Valdir Raupp e, ainda, contra, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, Luiz Maramaldo, Nelson Maramaldo e Fernando Reis por corrupção e lavagem de dinheiro em contratos da subsidiária da Petrobrás.

A denúncia detalha suposta corrupção nos contratos da NM Engenharia e Odebrecht Ambiental com a Transpetro para pagamentos ilícitos aos então senadores do MDB entre os anos de 2008 e 2010 e em 2012.

O Ministério Público Federal no Paraná, base e origem da Lava Jato, requer a reparação de danos em favor da Transpetro e perdimento de bens no valor de R$ 2,8 milhões – metade para cada finalidade.

As informações são da assessoria de comunicação da Procuradoria Federal.

As investigações tramitaram inicialmente no âmbito do Supremo Tribunal Federal, uma vez que os investigados possuíam foro privilegiado pelo cargo de senador.

Em agosto de 2017, a PGR ofereceu denúncia que também englobava o senador Renan Calheiros e os ex-senadores José Sarney e Garibaldi Alves Filho, todos do MDB. Estes dois últimos tiveram a punibilidade extinta por prescrição dos fatos.

Justiça Federal no Paraná

Jucá e Raupp perderam a cadeira no Senado a partir do mandato de 2019. Dessa forma, em fevereiro o Supremo ficou apenas com as investigações relativas a Renan Calheiros – todos os demais investigados passaram a ficar sob a jurisdição da Justiça Federal, inicialmente no Rio de Janeiro e depois no Paraná.

Denúncia

Sérgio Machado era presidente da Transpetro e tinha a função de arrecadar propina para seus padrinhos políticos, diz a denúncia, dentre os quais estariam Romero Jucá e outros integrantes do MDB.

Em troca, a Transpetro garantia às empresas a continuidade dos contratos e a expedição de futuros convites para licitações.

Em setembro de 2008, por meio de seus executivos Luiz Maramaldo e Nelson Maramaldo, a NM Engenharia pagou propina disfarçada de doação eleitoral oficial no valor de R$ 100 mil.

A empresa efetuou o repasse através do Diretório Estadual do MDB no Estado de Roraima, que, à época, era presidido pelo ex-senador Romero Jucá. A propina, assim, abasteceu a campanha eleitoral de Elton Vieira Lopes, ligado ao parlamentar e candidato ao cargo de Prefeito de Mucajaí, em Roraima.

Já em setembro de 2012, o ex-Senador Valdir Raupp, com o auxílio de Sérgio Machado, recebeu R$ 1 milhão da Odebrecht Ambiental.

Fernando Reis, à época presidente da empresa do Grupo Odebrecht, se utilizou de outra empresa do grupo, a Barro Novo Empreendimentos Imobiliários S.A, e fez duas doações eleitorais oficiais, no valor de R$ 500 mil cada, para o Diretório Nacional do MDB.

Conforme a denúncia, Valdir Raupp era presidente em exercício do partido e solicitou o valor para ser destinado à campanha eleitoral de Gabriel Chalita, do MDB, ao cargo de Prefeito da cidade de São Paulo.

As doações foram realizadas nos dias 17 e 19 de setembro e, no mesmo dia 19, o valor integral foi repassado pelo Diretório Nacional à campanha de Gabriel Chalita, diz a denúncia.

Em relação a Renan Calheiros, em 3 de dezembro de 2019, o STF recebeu parcialmente a denúncia pela prática dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

“Crimes de poder precisam de uma resposta rápida e justa e a força-tarefa continuará a fazer seu trabalho com o objetivo de fazer com que o crime não compense. A equipe vem fazendo o máximo para superar os desafios do sistema de justiça, como novas leis e decisões que dificultam o combate ao crime e a prescrição, que infelizmente aconteceu em relação a parte desse caso criminal”, finaliza o procurador da República Marcelo Ribeiro.

Defesa

Produrados, as assessorias de Valdir Raupp, Romero Jucá e dos demais citados na matéria ainda não se manifestaram.

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