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Paulo Guedes critica reajuste anual de salários dos servidores e os compara a 'parasita'

Segundo o ministro da Economia, máquina pública está quebrada. Servidores reclamaram e, em nota, ministério diz que Guedes 'reconhece qualidade do servidor'

Fonte: G1 - Em Política - 08/02/2020 08:56:00 hrs

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Paulo Guedes critica reajuste anual de salários dos servidores e os compara a
Reprodução

O ministro da Economia, Paulo Guedes, comparou funcionários públicos a "parasitas" ao comentar, nesta sexta-feira (7), as reformas administrativas pretendidas pelo governo federal. Segundo ele, as propostas referentes ao tema serão enviadas ao Congresso na próxima semana.

Guedes criticou o reajuste anual dos salários dos servidores que, segundo ele, já têm como privilégio a estabilidade no emprego e "aposentadoria generosa". O ministro argumentou que a máquina pública, nas três esferas de governo, não se sustenta financeiramente por questões fiscais e, por isso, a carreira do funcionalismo precisa ser revista.

"O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita, o dinheiro não chega no povo e ele quer aumento automático", declarou.

Segundo o ministro, sua crítica é compartilhada pelos brasileiros. "A população não quer isso [reajuste automático do funcionalismo público]. 88% da população brasileira é a favor, inclusive, de demissão no funcionalismo público", disse.

Paulo Guedes se referiu a uma pesquisa Datafolha, divulgada em janeiro, que apontava que, para 88% dos entrevistados, o funcionário público que não faz um bom serviço deve ser demitido.

"Nos Estados Unidos ficam quatro, cinco anos sem dar reajuste e quando dá todo mundo fica 'oh, muito obrigado'. Aqui o cara é obrigado a dar [reajuste] porque está carimbado e ainda leva xingamento, ovo, não pode andar de avião", continuou o ministro.

Guedes afirmou que o texto da reforma administrativa será apresentado na próxima semana à Câmara dos Deputados. Segundo ele, é grande a expectativa do governo de rápida tramitação.

"O clima no Congresso é extremamente favorável [à reforma administrativa], ao contrário do nosso clima no ano passado quando nós chegamos com a Reforma da Previdência", disse.

Já a reforma tributária, que está sendo desenhada pelo Executivo, "é um pouco mais complexa", segundo o ministro. Ele destacou que ela deverá ser apresentada a um comitê conjunto, formado entre Câmara e Senado.

Servidores reclamam

A fala do ministro gerou repercussão entre os servidores nesta sexta. Em nota, a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) disse repudiar as declarações do ministro, afirmando que os auditores exercem "com orgulho e lisura" suas atribuições.

 

A Associação Nacional dos Defensores Públicos Federais (Anadef) também se manifestou. "Como servidores públicos que são, os defensores prestam um serviço de qualidade a milhões de brasileiros que necessitam de assistência jurídica gratuita", afirmou.

A repercussão chegou ainda nos funcionários do Banco Central (BC). O sindicato da categoria, o Sinal, disse que o discurso do ministro foi tendencioso, "recheado de inverdades e vazio de fundamentos técnicos". Segundo o sindicato, o ministro "quer induzir a sociedade a acreditar, entre outras barbaridades, que o servidor recebe reajuste salarial automático, mas que "o último acordo negociado com o governo data de 2015".

Já o Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União (Sindilegis) escreveu que "alguns agentes públicos desconhecem" a qualidade do trabalho dos servidores. 

Em nota, o ministério da Economia afirma que o ministro Paulo Guedes reconhece a qualidade do servidor público, e que a reforma administrativa é para "corrigir distorções".

"O Ministério da Economia esclarece que, após reconhecer a elevada qualidade do quadro de servidores, o ministro Paulo Guedes, analisou situações específicas de estados e municípios que têm o orçamento comprometido com a folha de pagamento", diz a nota.

"O ministro argumentou que o país não pode mais continuar com políticas antigas de reajustes sistemáticos. Isso faz com que os recursos dos pagadores de impostos sejam usados para manter a máquina pública em vez de servir à população: o principal motivo da existência do serviço público. O ministro defendeu uma reforma administrativa que corrija distorções sem tirar direitos constitucionais dos atuais servidores".

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