Projeto de construção de nova usina hidrelétrica em Machadinho ameaça alagar terras indígenas de RO
Usina Tabajara está prevista para ser construída em Machadinho D'Oeste (RO). Ibama informou que estudos ambientais da UHE estão em fase inicial de análise.
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Pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e Ministério Público Federal (MPF) estão questionando dados apresentados no estudo e relatório de impacto ambiental (EIA/RIMA) para a obtenção de licenciamento prévio para construção da Usina Hidrelétrica Tabajara, no Rio Machado, em Machadinho D'Oeste (RO), a cerca de 300 quilômetros de Porto Velho.
De acordo com o MPF, o estudo já havia sido entregue uma vez e foi devolvido com termo de referência pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) para complementação. No fim do ano passado, a Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte) devolveu o documento com algumas modificações e uma nota técnica.
Com diversas ressalvas aos pontos dos estudos apresentados, a procuradora da República no MPF de Rondônia, Gisele Bleggi, se reuniu com os professores Madalena Cavalcante e Ricardo Gilson da Unir para acompanhar as pesquisas da universidade sobre os impactos que a construção da hidrelétrica geraria nos povos indígenas e comunidades tradicionais da região do Rio Machado.

Foto: Áreas que podem ser alagadas com a contrução da nova usina em Machadinho D'Oeste - G1/Ro
Os pesquisadores dizem haver estudos apontando a existência de comunidades indígenas isoladas na região e esses grupos teriam sido ignorados nos documentos apresentados ao Ibama.
"Se a terra indígena for alagada e se o povo isolado estiver lá ou se as outras comunidades indígenas e tradicionais não forem reconhecidas, nós vamos ter um grave estrago", diz a procuradora.
O professor Ricardo Gilson acredita que mais de 1 mil ribeirinhos vivam na área a ser atingida. Com a apresentação dos dados obtidos pelos pesquisadores, Ricardo defende mais conhecimento para a população escolher se aceita ou não a usina na cidade.
Ao G1, o Ibama informou que os estudos ambientais referentes à UHE Tabajara estão em fase inicial de análise. O prazo máximo para aprovação, ou não, é 27 de maio de 2020.
Em relação às críticas do MPF ao relatório, o instituto informou que elas serão consideradas durante as análises conforme forem pertinentes. A reportagem também tenta contato com a Eletronorte.
Foto: Área alagada pela Usina de Santo Antônio em Porto Velho, RO. Na primeira imagem, em 2019, com a usina em pleno funcionamento. Na segunda imagem, 10 anos atrás, antes das construções. - Reprodução/Google
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